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Marcela Tosi: Fortaleza 'tombada' e a sede de futuro

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CAPA - Parte da torre do Farol Velho desmoronou nesta terça-feira (Foto: Aurélio Alves)
Foto: Aurélio Alves CAPA - Parte da torre do Farol Velho desmoronou nesta terça-feira

MEMÓRIA Parece ser essa uma das respostas para o constante descaso com o patrimônio histórico e arquitetônico da Cidade. É desejo do novo, do moderno, do diferente, do 2040 que se recusa a olhar para trás. Como se passado, ou melhor, memória e progresso não possam estar sequer na mesma linha. E constrói-se uma cidade de buracos.

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Em pouco mais de uma década vivendo em Fortaleza, os casarões do Centro sempre me intrigaram pelo evidente abandono. Nos anos mais recentes, andando por suas ruas como repórter e conhecendo os rios cobertos por asfalto, os faróis que se deixa tombar e as moradas de história que se tornam arranha-céus ou estacionamentos, começo a entender os porquês.

Gestão atrás de gestão é como se o tombamento fosse mesmo a decisão por deixar tombar, deixar esfarelar aos nossos olhos e cair. Não há iniciativa em tentar conciliar o que deveria ser interesse público e as vontades dos proprietários. Inexiste vontade política (e econômica, claro) para a conservação. Faltam equipes suficientes para ativamente encontrar nossos patrimônios, quem dirá para analisá-los, protegê-los e promover seu restauro e uso adequado.

Não é lamentar por escombros, mas reconhecer o que nos ampara a saber quem somos, de onde viemos, o que seremos e o que deixaremos para as gerações futuras. O esquecimento não é exclusividade de Fortaleza, mas a decisão por preservar memória poderia ser uma de suas marcas de inovação.

 


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