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Camilo rebate pressão de petistas e diz que não governa para atender alas partidárias

Um dia após cobranças de parte dos seus correligionários, o governador lamentou que petistas priorizem o que chamou de "picuinhas'' e "projetos pessoais e individuais"
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GOVERNADOR reagiu à críticas de ala do PT contrária à aliança com o PDT (Foto: Thais Mesquita)
Foto: Thais Mesquita GOVERNADOR reagiu à críticas de ala do PT contrária à aliança com o PDT

O governador Camilo Santana (PT) respondeu duramente à pressão feita por alas do PT no Ceará, sobretudo daquelas próximas aos deputados federais Luizianne Lins e José Airton, para que o partido reveja a aliança estadual com o PDT e garanta um palanque próprio para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Estado em 2022. Camilo lamentou a postura de parte dos correligionários e disse que não governa para atender desejos pessoais.

“Eu nunca fiz um governo que procurasse atender grupos ou alas partidárias. Meu governo sempre foi focado em atender as pessoas. Lutar pela defesa da Justiça Social e dos Direitos dos cidadãos (...) Lamento algumas pessoas do partido que procuram não reconhecer as ações desse governo. Com picuinhas e projetos pessoais e individuais”, disparou o governador durante inauguração do Centro Integrado Multifuncional (CIM) do Corpo de Bombeiros, no bairro Cidade dos Funcionários, em Fortaleza.

Camilo afirmou ainda que essa parcela de partidários precisa “sair da bolha” e trabalhar para construir diálogos na defesa da democracia e dos mais vulneráveis, valores que, segundo ele, são pilares do PT defendidos pelo próprio ex-presidente Lula ao longo dos anos.

“Para defender a democracia e a Justiça social é preciso mudar o discurso. Não será com discurso de intolerância, não será com discurso de isolamento, nem com radicalismo que faremos isso. Isso é cegueira política”, criticou.

Durante o evento, Camilo disse que “felizmente a imensa maioria do partido não pensa e nem age dessa forma” e reforçou a necessidade de “construir consensos” em 2022. As declarações do governador ocorreram um dia após Luizianne Lins e José Airton, além do deputado estadual Elmano Freitas, realizarem evento virtual para reforçar o desejo de uma candidatura própria ao Palácio da Abolição.

O tom mais incisivo partiu de José Airton, que apesar de elogiar as ações do Executivo estadual, cobrou do governador maior alinhamento político e disse que petistas são excluídos de sua administração. Luizianne fez duras críticas ao ex-ministro Ciro Gomes, pré-candidato à Presidência pelo PDT, que, na opinião dela, seria um "Bolsonaro querendo se travestir de progressista".

Nesta semana, membros da cúpula cearense do PT manifestaram incômodo com as falas de Ciro Gomes durante o lançamento da sua pré-candidatura à Presidência da República no último dia 21. A aliança entre petistas e pedetistas no Estado entrou em novo teste de resistência após o ex-ministro lançar duras críticas ao ex-presidente Lula ao responder uma pergunta em que acusa o site Brasil 247 de "não ser um órgão de imprensa" e de ser "um panfleto do Lula, pago com dinheiro sujo".

A relação entre os partidos no Ceará e o tratamento de Ciro aos petistas no âmbito nacional também foi motivo de questionamentos entre militantes e filiados petistas no Estado. Na última segunda-feira, 24 , o deputado estadual Acrísio Sena (PT) atentou para a necessidade de o PT Ceará retomar o diálogo com as suas bases políticas.

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