Nos últimos dias, o impasse sobre qual caminho a federação União Brasil-Progressistas no Ceará vai tomar — se ficará na base de apoio ao governador Elmano de Freitas (PT) ou se se posicionará na oposição — ganhou novo fôlego e promete decisões importantes nas próximas semanas.
De um lado, parlamentares próximos ao governo estadual têm externado otimismo com a possibilidade de que a federação integre a base governista. Deputados como Moses Rodrigues (União Brasil), AJ Albuquerque (PP) e Fernanda Pessoa (União Brasil) se reuniram na sexta-feira passada e reforçaram que há um "alinhamento" favorável ao apoio à reeleição de Elmano, em conversas que envolvem lideranças nacionais da federação e do PP.
No mesmo dia, porém, o presidente estadual do União Brasil, Capitão Wagner, afirmou ao O POVO que, após diálogo com o presidente nacional da sigla, Antônio Rueda, está "tudo alinhado" para que a federação se mantenha na oposição neste ano — posição que integra a estratégia de parte da oposição ao governo e que conta com figuras como o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB).
Procurada pela reportagem, a deputada Fernanda Pessoa cobrou uma definição. "É fundamental que o partido seja reorganizado para se tornar competitivo nas eleições de 2026. Nossa expectativa é eleger entre 6 a 7 deputados federais e 10 a 11 estaduais. Isso exige planejamento e tempo", afirmou — um recado claro de que indefinições prolongadas prejudicam a montagem de chapas e a estratégia eleitoral.
Fernanda é apontada por defensores da permanência do partido na base governista como futura presidente da sigla no Ceará, com Moses Rodrigues à frente da federação. Ao mesmo tempo, Ciro Gomes disse ter tido "ótima conversa" com Rueda, a quem afirmou acreditar na palavra de que o partido seguirá na oposição.
A permanência do União Brasil fora da base do governo é considerada condição importante para a viabilização da pré-candidatura de Ciro ao Governo do Estado, uma vez que ele hoje está filiado ao PSDB, legenda que já não dispõe do mesmo peso eleitoral de outrora. Nesse contexto, a aliança com partidos de bancadas mais robustas, como União Brasil e PL, é vista como estratégica.
Wagner afirmou que Rueda deve anunciar o caminho a ser seguido pelo partido assim que a federação for homologada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o que ele acredita que deva ocorrer em até uma semana. Explicou ainda que, em alguns estados, o posicionamento da federação será definido pelo Progressistas, mas que o Ceará está entre aqueles em que o União Brasil dará a palavra final.
Questionado sobre a possibilidade de o partido liberar seus filiados para seguir qualquer um dos lados, o dirigente disse que a determinação da Executiva Nacional será seguida, embora avalie que essa não deve ser a decisão adotada.
"Até a última conversa que eu tive com o Rueda, tem sido no sentido de que o partido vai ter posição firme. Logicamente, hoje é essencial para a candidatura de oposição o tempo de TV que a federação tem, a estrutura partidária e também a estrutura do fundo eleitoral", afirmou.
Com ambos os lados confiantes em suas leituras e com interlocuções nacionais ainda em curso, os próximos dias devem ser cruciais para uma definição.