Reportagem Seriada

Conheça os cearenses que prometem brigar por medalha na Olimpíada de Tóquio-2020

TÓQUIO-2020 | Entre nativos e radicados no Estado, pelo menos sete atletas estão com presença garantida em Tóquio. Número pode chegar a oito, a depender de desistências no tênis
Episódio 6

Conheça os cearenses que prometem brigar por medalha na Olimpíada de Tóquio-2020

TÓQUIO-2020 | Entre nativos e radicados no Estado, pelo menos sete atletas estão com presença garantida em Tóquio. Número pode chegar a oito, a depender de desistências no tênis Episódio 6
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Com a proximidade do início dos Jogos Olímpicos, que terão a cerimônia de abertura dentro de um mês, no Estádio Olímpico de Tóquio, a grande maioria dos competidores já é conhecida. Dentre eles, pelo menos sete vão representar o Ceará no Japão, seja por nascimento ou por vivência no Estado.

O nadador Luiz Altamir, a surfista Silvana Lima, os triatletas Manoel Messias e Vittoria Lopes, a jogadora de vôlei de praia Rebecca, a pivô de handebol Elaine Gomes e o cavaleiro Marlon Zanotelli estão classificados para as Olimpíadas de 2020, que serão disputadas entre julho e agosto de 2021.

 

Tenista cearense Thiago Monteiro ainda depende de desistências para carimbar o passaporte rumo a Tóquio
Foto: CHRISTOPHE ARCHAMBAULT / AFP
Tenista cearense Thiago Monteiro ainda depende de desistências para carimbar o passaporte rumo a Tóquio

 

Além deles, ainda há a possibilidade de o tenista Thiago Monteiro, número 1 do Brasil, conseguir uma vaga. Ele está na repescagem e espera quatro desistências para entrar no grupo de 56 tenistas que disputarão os Jogos. Em uma temporada atípica, devido à pandemia do novo coronavírus, lesões e desistências por motivos de saúde estão sendo comuns. Assim, é plausível que surja uma oportunidade para o fortalezense de 27 anos, atual número 81 do ranking mundial da modalidade.

Dentre os cearenses garantidos em Tóquio, somente o nadador Luiz Altamir tem experiência prévia em Olimpíadas. Ele participou das provas dos 4x200m livres e dos 400m livres no Rio-2016. Nascido em Boa Vista, em Roraima, Luiz é radicado no Ceará e faz treinamentos em Fortaleza. Ao O POVO, o nadador de 25 anos falou sobre a expectativa da participação na Tóquio-2020.

“A gente tem que ser sempre pé no chão, temos que fazer nossa parte. Treinar, continuar focado. A medalha é consequência do que acontecerá na hora. Mas eu acredito no revezamento. Temos que acreditar, mas com o pé no chão”, disse Altamir, que competirá ao lado de Fernando Scheffer, Breno Correia e Murilo Sartori.

 

Nadador Luiz Altamir é o único a ter representado o Ceará na Rio-2016 e em Tóquio-2020
Foto: BÁRBARA MOIRA
Nadador Luiz Altamir é o único a ter representado o Ceará na Rio-2016 e em Tóquio-2020

 

Outro caso de cearense radicado é o do cavaleiro Marlon Zanotelli, que é nascido em Imperatriz, no Maranhão, mas viveu desde criança no Ceará e começou sua carreira no hipismo no Estado. Ele mora e treina na Bélgica há mais de dez anos, mas costuma visitar seu antigo local de treinamento.

Zanotelli vem em um ótimo momento para sua estreia nas Olimpíadas, após dois ouros nos Jogos Pan-Americanos de 2019, em Lima, no Peru. Ele conquistou o lugar mais alto do pódio na disputa de equitação por equipes e no salto individual.

Nascido no Maranhão e radicado no Ceará, Marlon Zanotelli é destaque no hipismo (saltos)
Foto: Alexandre Castello Branco/COB
Nascido no Maranhão e radicado no Ceará, Marlon Zanotelli é destaque no hipismo (saltos)

 

O triatlo, por sua vez, será o único esporte com dois representantes cearenses em terras nipônicas. Manoel Messias e Vittoria Lopes, que atuam no revezamento misto e nas provas individuais, conquistaram medalha de ouro e de prata no Pan de Lima.

Porém, nenhum esporte representa historicamente tão bem o Ceará nas Olimpíadas como o vôlei de praia. Desde 1996 no programa olímpico oficialmente, seis atletas representaram o Estado, enquanto alguns deles chegaram a vencer medalhas. Márcio, ao lado de Fábio, levou uma prata em Pequim-2008, Shelda, junto a Adriana Behar, tem duas pratas, conquistadas em Sidney 2000 e Atenas 2004, que se somam ao bronze de Juliana e Larissa, em Londres-2012.

 

Manoel Messias compete no triatlo individual masculino e por equipes
Foto: Wagner Araújo/ITU Media/Divulgação
Manoel Messias compete no triatlo individual masculino e por equipes

 

Natural de Fortaleza, Rebecca levará o legado cearense às areias orientais e fará dupla com Ana Patrícia. Aos 28 anos, ela soma conquistas relevantes na carreira, como dois ouros em Sul-Americanos (2019 e 2011), além de um bronze no World Tour Finals (2019), competição que reúne as oito melhores duplas ranqueadas a cada ano.

Ao O POVO, ela analisou a concorrência. “Está todo mundo no mesmo nível, todos os times sentiram a pandemia. Hoje está bem igualado, não tem como dizer o time que será campeão, que será medalhista”, ressaltou.

Indo da areia para dentro do mar, a cearense de Paracuru Silvana Lima será uma das duas representantes brasileiras no surfe, junto a Tatiana Weston-Webb. Duas vezes vice-campeã do circuito mundial (2008 e 2009), ela, aos 36 anos, levará sua experiência para a estreia desta modalidade no programa olímpico.

 

Vittoria Lopes compete no triatlo individual feminino e por equipes
Foto: FÁBIO LIMA/O POVO
Vittoria Lopes compete no triatlo individual feminino e por equipes

 

Em entrevista às Páginas Azuis do O POVO, Silvana explicou que o adiamento em um ano dos Jogos ajudou na recuperação física dela.

“Se as Olimpíadas fossem ano passado, eu poderia dizer que não estava bem preparada. Sentia o joelho, não estava 100% fisicamente. Seria uma loucura, pegaria muito em cima. Hoje estou preparada psicologicamente e fisicamente. Estou pronta para a luta. Não posso chegar muito ansiosa. Vai ser histórico, a primeira do surfe nas Olimpíadas. Não pode entrar muito na emoção, se não perde o foco. A prancha tem que estar mágica, a cabeça boa e o corpo bom. Tem tempo ainda. Acho que dá para chegar mais do que 100%”, pontuou.

 

Aos 36 anos, Silvana Lima poderá participar da estreia do surfe em Jogos Olímpicos
Foto: Divulgação
Aos 36 anos, Silvana Lima poderá participar da estreia do surfe em Jogos Olímpicos

 

Por fim, também haverá participação cearense em esportes coletivos, mais especificamente no handebol. Elaine Gomes, de 29 anos, estava no elenco brasileiro campeão mundial de 2013 e no último título relevante da seleção, nos Jogos Pan-Americanos de Lima, no Peru, de 2019, que garantiu a vaga em Tóquio.

O adiamento dos Jogos deu a oportunidade dela retornar à seleção, pois a atleta estava suspensa por doping — ela e as demais ateletas do Corona Brosov, da Romênia, fizeram uma aplicação de laser intravenosa, sendo suspensas pela proibição do procedimento — e ficaria de fora das Olimpíadas caso a data original fosse mantida, em 2020. Ela ficou 18 meses ausente de convocações e treina com o elenco brasileiro, que se prepara para o torneio olímpico.

Cearense Elaine Gomes é pivô da seleção feminina de handebol do Brasil
Foto: Divulgação
Cearense Elaine Gomes é pivô da seleção feminina de handebol do Brasil

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