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Cegás vai criar "corredores" para levar gás natural ao Interior
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Jornalista, repórter especial do O POVO, tem mais de dez anos de experiência em jornalismo econômico

Cegás vai criar "corredores" para levar gás natural ao Interior

Companhia de Gás do Ceará teve o projeto de R$ 35 milhões aprovado na chamada pública do Nova Indústria Brasil e mira ainda termelétricas e montadoras
Tipo Opinião
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MIGUEL Nery, diretor-presidente da Cegás (Foto: FÁBIO LIMA)
Foto: FÁBIO LIMA MIGUEL Nery, diretor-presidente da Cegás

A Companhia de Gás do Ceará (Cegás) pôs em prática um novo plano para aumentar o fornecimento de gás natural no Interior do Estado a partir da estruturação de corredores sustentáveis em direção a regiões estratégicas ao longo de três rodovias que percorrem o território cearense. O projeto foi revelado com exclusividade a esta coluna por Miguel Nery, diretor-presidente da empresa, o qual destacou o interesse de atender polos industriais regionais, além de grandes comércios e automóveis.

O recurso previsto para isso é de R$ 35 milhões e tem origem no programa federal Nova Indústria Brasil (NIB). A Cegás foi uma das empresas cearenses contempladas na chamada pública da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) no fim do ano passado.

"Vamos fazer essa contratação para implementar esse projeto porque faz parte do nosso plano de negócio e a expectativa é de que a gente consiga avançar com essa estratégia dos corredores sustentáveis", afirmou Nery ao considerar as condições de pagamento e de juros do programa confortáveis.

Rodovias e polos

Na prática, a Cegás quer estruturar uma rede de distribuição de gás natural ao longo das rodovias federais BR-116, BR-122 e BR 222. Mas isso não deve ser feito via uma rede de tubulação como a feita pela empresa para atender a Região Metropolitana de Fortaleza. O plano é comprimir o gás em caminhões tanques para levar até os pontos ao longo das estradas.

"A ideia é colocar a cada 300 km uma estação de descompressão. Essas estações, inclusive, não vão atender somente aos veículos, porque queremos expandir a rede a partir delas para dentro das cidades e atender comércios, indústrias e condomínios", detalha o diretor-presidente da Companhia.

O público em potencial, inicialmente, devem ser os caminhões de frotas das empresas de logística. Nery disse já ter feito contato com essas empresas e também com as montadoras. O objetivo é demonstrar ao dois setores que vai existir uma rede apta para o abastecimento dos veículos no Ceará e, assim, assegurar um público para dar início ao negócio.

Já os comércios e indústrias entram numa etapa na qual o fornecimento já esteja estabilizado e possa ter mais gás natural injetado na rede para dar suporte a esses consumidores.

Térmicas na mira

"A bem da verdade, hoje, para além desse projeto que a gente viabilizou, contratamos uma consultoria, que é liderada pelo pesquisador e ex-presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, para apresentar dois estudos: um sobre os corredores sustentáveis em todo o Nordeste e para a ampliação da oferta de gás natural na Região", acrescentou Nery.

Os estudos devem dar mais subsídio à Cegás no projeto de interiorização do fornecimento de gás natural e também no interesse da empresa em atender grandes consumidores do combustível, como termelétricas. Um novo leilão federal para contratação de usinas térmicas é previsto para 2026 e ele disse estar atento, inclusive, com seis memorandos assinados com empresas cuja participação no leilão é prevista.

Montadora

Em contato com as montadoras de caminhões movidos a gás natural, o presidente da Cegás sugere que é viável a instalação de uma delas na Planta Automotiva do Ceará (Pace), localizada em Horizonte. "A expectativa é que a gente possa, quem sabe, até aproveitando o polo automotivo, recentemente inaugurado pelo presidente Lula, também trazer alguma montadora de caminhão aqui para região", falou.

Scania e Volare são as empresas cujas negociações com a Cegás são públicas. Nery contou ainda de conversas com a vice-prefeita Gabriela Aguiar para uma possível adoção pela Prefeitura de Fortaleza dos micro ônibus da Volare na frota da Capital. Tudo em negociação, mas que direciona a Cegás, juntamente com o Estado e o Município, na tão desejada trilha da transição energética.

Foto do Armando de Oliveira Lima

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