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Antes do Oscar, cearenses aterrissam nas telas de Berlim
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Arthur Gadelha é crítico de cinema do O POVO, ex-presidente da Aceccine e membro da Abraccine. Acompanha as estreias nacionais e os passos do cinema cearense, cobrindo eventos internacionais como Cannes, Gramado, Globo de Ouro e Oscar. Nessa coluna, propõe uma escrita mais imersiva com análises e reflexões pessoais, trazendo também bastidores de filmes, festivais e premiações, além de refletir sobre o papel da crítica de arte no mundo

Arthur Gadelha arte e cultura

Antes do Oscar, cearenses aterrissam nas telas de Berlim

Com Karim Aïnouz, Janaína Marques e Allan Deberton, 76º Festival de Berlim inaugura a grande competição europeia dos festivais de cinema
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Montagem com Karim Aïnouz, Allan Deberton e Janaína Marques. Fotos: Samuel Setubal e  Jamille Queiroz.  (Foto: Samuel Setubal/Jamille Queiroz)
Foto: Samuel Setubal/Jamille Queiroz Montagem com Karim Aïnouz, Allan Deberton e Janaína Marques. Fotos: Samuel Setubal e Jamille Queiroz.

Depois de levar o primeiro longa-metragem cearense para a competição principal do Festival de Cannes com “Motel Destino” em 2024, a imprensa internacional especulou muito sobre onde o próximo filme de Karim Aïnouz seria projetado. Esperado para retornar a Cannes no ano de “O Agente Secreto” ou mais tarde em Veneza, o filme se guardou para uma estreia em grande estilo na competição do 76º Festival de Berlim, em 2026. A equipe do evento anunciou a seleção nesta terça-feira, 20.

Chamado de “Rosebush Pruning”, o projeto partiu de um terreno arisco ao se anunciar como remake de “De Punhos Cerrados” (1965), do italiano Marco Bellocchio. Ainda em 2024, o elenco que tinha os astros Kristen Stewart e Josh O’Connor foi substituído por Riley Keough e Callum Turner. Diante das incertezas, o filme finalmente deu às caras na primeira foto oficial que estampa o grande anúncio do festival.

Sem participação brasileira, o filme é uma coprodução da Itália com Alemanha, Espanha e Reino Unido. Na trama, os irmãos Jack, Ed, Anna e Robert vivem isolados do mundo, usufruindo da fortuna que herdaram. Mentiras começam a vir à tona, a família passa a se desintegrar brutalmente e os irmãos entram numa espiral de violência.

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“O último filme meu que esteve em competição aqui foi o Praia do Futuro, em 2014. Além de ser realizado na cidade onde eu vivo, é um festival que aposta em um cinema de inovação, de invenção”, celebra Aïnouz em nota enviada à imprensa.

Karim, porém, não é o único cineasta cearense a integrar a extensa programação do festival alemão. Na semana passada, a Mostra Generation anunciou o novo filme de Allan Deberton, diretor assíduo no cinema brasileiro, mas que ganhou o Brasil em 2019 com a explosão de “Pacarrete”, grande vencedor do Festival de Gramado naquele ano e sucesso de crítica por onde passou.

Em Berlim, ele apresenta “Feito Pipa”, filme produzido no Quixadá que também gerou muita especulação sobre onde ele faria a estreia. Com equipe robusta, coprodução da Warner Bros., e distribuição no Brasil da Paris Filmes, o filme acompanha a história de Gugu, um menino de quase 12 anos que sonha em se tornar jogador de futebol e vive com a avó Dilma, uma professora aposentada que o cria de forma livre e afetuosa. Estrelado pelo jovem Yuri Gomes, o elenco conta ainda com Lázaro Ramos, Teca Pereira, Carlos Francisco e Georgina Castro.

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A última produção cearense anunciada foi “Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha”, de Janaína Marques na seção Fórum. Produzido pelas cearenses Delírio Filmes e Moçambique Audiovisual, o longa se constrói como um road movie do inconsciente, uma travessia sensorial guiada pela imaginação como forma de cura.

Eu conheci Janaína na Escola Porto Iracema das Artes. Como professora dos Percurso Audiovisual, ela foi responsável por nos oferecer grandes referências do cinema mundial que contradiziam muitas estruturas que tínhamos na cabeça como estudantes, mesmo que nós já tivéssemos interesse em fugir do que era hegemônico. Parece fascinante que seu primeiro longa-metragem faça sua estreia em Berlim.

“Ter a première mundial no Fórum da Berlinale já é um prêmio, é onde estudaram filmes de alguns de meus cineastas favoritos, como Aki Kaurismäki e Tsai Ming-Liang. Eu sinto que é o lugar que o filme deveria estar”, ela afirma.

Na trama, a protagonista Rosa (vivida por Verônica Cavalcanti) mergulha numa busca interior que se torna a própria narrativa do longa. Entre o real e o imaginado, a realidade começa a ceder espaço ao sonho, ao delírio e à memória, uma jornada íntima em que Rosa reencontra a mãe (interpretada por Luciana Souza) e a transforma em parceira de estrada.

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O 76º Festival de Berlim acontece entre os dias 12 e 22 de fevereiro, um mês antes da tão aguardada cerimônia de premiação do 98º Oscar, marcada para a segunda quinzena de março. Apesar de tão distante da edição de 2027, Berlim também pode lançar filmes para a temporada de premiações no segundo semestre - basta ver o que aconteceu com Rose Byrne, vencedora do prêmio de Melhor Performance na capital alemã que agora está no páreo para uma indicação no Oscar.

Foto do Arthur Gadelha

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