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João Gabriel Tréz é repórter de cultura do O POVO e filiado à Associação Cearense de Críticos de Cinema (Aceccine). É presidente do júri do Troféu Samburá, concedido pelo Vida&Arte e Fundação Demócrito Rocha no Cine Ceará. Em 2019, participou do Júri da Crítica do 13° For Rainbow.

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Oscar 2021: Contexto e marcas históricas definem a premiação deste ano

Em noite marcada pelas vitórias de "Nomadland" e o triunfo surpresa de Anthony Hopkins, Oscar divide reconhecimentos entre os principais indicados em cerimônia presencial
Tipo Análise
A atriz Frances McDormand e a cineasta Chloé Zhao, de
Foto: Chris Pizzello / POOL / AFP A atriz Frances McDormand e a cineasta Chloé Zhao, de "Nomadland". Cada uma ganhou dois Oscars na noite do domingo

A temporada de premiações deste ano ficará marcada na história por um contexto extremamente singular e desafiador: em meio à pandemia, com alteração de regras, data de realização e salas de cinemas fechadas por meses. Neste panorama, o Oscar, realizado na noite do domingo, 25, conseguiu entregar uma cerimônia com bons momentos, boas surpresas e conquistas de marcas históricas. O triunfo de "Nomadland", da também vitoriosa diretora chinesa Chloé Zhao, coroa um caminho complexo.

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Os reconhecimentos desta edição foram bastante divididos entre as produções. Dos oito indicados a Melhor Filme, por exemplo, sete saíram com pelo menos um prêmio da cerimônia. As decisões da Academia "espalharam o amor", como diz o jargão, o que pode ser entendido como uma forma, justamente, de celebrar o cinema em meio ao tão delicado contexto da indústria e também do mundo.

 
 
 
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Com as salas de cinema fechadas durante a maior parte de 2020 nos Estados Unidos, a Academia mudou algumas regras e tirou a obrigatoriedade da estreia comercial como critério de elegibilidade ao Oscar. Sem a experiência coletiva e a repercussão boca-a-boca, - elementos comuns em uma campanha pelo prêmio -, a temporada teve uma constante sombra pairando nela: os filmes indicados foram vistos?

Em uma tentativa de dissipar este clima de dúvidas, apostou-se na realização de uma cerimônia presencial com adaptações, tirando proveito das políticas de vacinação e da melhor situação da pandemia nos EUA. Assim, estabeleceu-se uma noite, de fato, voltada a ressaltar as obras e as pessoas que as constroem. A lógica de uma premiação é sempre essa, decerto, mas o contexto dos últimos meses parece ter acentuado a intenção.

Além do gesto de espalhar reconhecimentos, registraram-se na noite do domingo marcas históricas em diferentes níveis na lista de vitórias. O êxito de "Nomadland", por si só, já é digno de nota. Dirigido pela chinesa Chloé Zhao, o longa garantiu as estatuetas de Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Atriz. A cineasta fez história ao ser somente a segunda mulher e a primeira que não é branca a vencer na categoria de Melhor Direção em 93 edições.

 
 
 
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O triunfo da protagonista Frances McDormand faz com que ela se some a um seleto time de intérpretes que conquistou três troféus de atuação - destaque-se que todas foram na principal categoria de atuação, Melhor Atriz. Além deste êxito, Frances ainda ganhou uma segunda estatueta no domingo, de Melhor Filme, por assinar também como produtora de "Nomadland". São, portanto, quatro troféus para a artista.

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É comum que o percurso histórico das decisões da Academia que reconhecem obras com presenças de mulheres, pessoas não-brancas e LGBTQs seja de altos e baixos, mas o fato do drama vencedor suceder o também disruptivo "Parasita" é um dado relevante para pensar os caminhos da instituição no futuro - não é coincidência que ela estabeleceu que a partir de 2024 regras de diversidade devem ser seguidas para garantir a elegibilidade de uma produção ao Oscar, por exemplo.

Uma boa surpresa da noite foram as vitórias do drama "Meu Pai", que se fortaleceu na votação e saiu com os troféus de Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Ator, este último para Anthony Hopkins, garantindo a segunda estatueta da carreira depois de ganhar por "O Silêncio dos Inocentes". Apesar da conquista do britânico ter significado a derrota do então favorito Chadwick Boseman (por "A Voz Suprema do Blues"), o reconhecimento a Hopkins se justifica pela precisão e delicadeza da atuação dele no filme.

 
 
 
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Entre as outras disputas, as categorias de atuação coadjuvante foram vencidas por dois estreantes no prêmio: o britânico Daniel Kaluuya, por "Judas e o Messias Negro", e a sul-coreana Yuh-Jung Young, do drama "Minari". Os demais indicados a Melhor Filme que saíram vencedores foram "Mank" (Fotografia e Direção de Arte), "O Som do Silêncio" (Edição e Som) e "Bela Vingança" (Roteiro Original). Outros filmes que venceram foram "A Voz Suprema do Blues", "Soul" - ambos com dois troféus -, o dinamarquês "Druk - Mais Uma Rodada" e o documentário "Professor Polvo".

Yuh-Jung Youn prevaleceu na disputa do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, vitória que conquistou pela atuação em 'Minari'
Foto: Chris Pizzello / POOL / AFP
Yuh-Jung Youn prevaleceu na disputa do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, vitória que conquistou pela atuação em 'Minari'

Na cobertura especializada, uma constante ideia que circulava nos bastidores da temporada de premiações foi revelada: a de que os vencedores da cerimônia do Oscar deste ano teriam que ser, para sempre, acompanhados de um "asterisco" que contextualizasse o cenário mundial, em uma espécie de desvalorização dos resultados que seriam obtidos no evento. A pandemia inegavelmente faz, por si, a edição de 2021 ficar marcada, mas não é possível ignorar, também, que há outros - importantes - motivos para destacá-la no panorama histórico do prêmio.

Confira galeria com vencedoras e vencedores:

Vencedores

Melhor Filme: "Nomadland"

Melhor Atriz: Frances McDormand, por "Nomadland"

Melhor Direção: Chloé Zhao, por "Nomadland"

Melhor Ator: Anthony Hopkins, por "Meu Pai"

Melhor Roteiro Original: "Bela Vingança"

Melhor Roteiro Adaptado: "Meu Pai"

Melhor Ator Coadjuvante: Daniel Kaluuya, por "Judas e o Messias Negro"

Melhor Atriz Coadjuvante: Yuh-Jung Youn, por "Minari"

Melhor Filme Internacional: "Druk - Mais Uma Rodada"

Melhor Animação: "Soul"

Melhor Documentário: "Professor Polvo"

Melhor Maquiagem: "A Voz Suprema do Blues"

Melhor Figurino: "A Voz Suprema do Blues"

Melhor Direção de Arte: "Mank"

Melhor Fotografia: "Mank"

Melhor Som: "O Som do Silêncio"

Melhores Efeitos Visuais: "Tenet"

Melhor Edição: "O Som do Silêncio"

Melhor Trilha Sonora: "Soul"

Melhor Música: Fight For You, de "Judas e o Messias Negro"

Melhor Curta: "Dois Estranhos"

Melhor Curta de Animação: "Se Algo Acontecer… Te Amo"

Melhor Curta Documental: "Colette"

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