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A sombra de Camilo e o futuro de Elmano
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Colunista de política, Gualter George é editor-executivo do O POVO desde 2007 e comentarista da rádio O POVO/CBN. No O POVO, já foi editor-executivo de Economia e ombudsman. Também foi diretor de Redação do jornal O Dia (Teresina).

A sombra de Camilo e o futuro de Elmano

As especulações sobre uma troca de candidatura, entrando Camilo Santana no lugar de Elmano, têm encontrado caminho para prosperar, por mais que os desmentidos aconteçam
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Elmano de Freitas é candidato à reeleição (Foto: DANIEL GALBER/ESPECIAL PARA O POVO)
Foto: DANIEL GALBER/ESPECIAL PARA O POVO Elmano de Freitas é candidato à reeleição

Elmano de Freitas é candidato à permanência no cargo de governador, habilitando-se a novo mandato de quatro anos. A decisão está tomada e somente não pode ser dada como irreversível porque este é um termo que não cabe na atividade política, como de resto, deve ser evitada em qualquer ação com presença humana. Acontece, porém, que as lideranças do PT seguem encontrando dificuldades para convencer a totalidade das pessoas de que o caminho está definido quanto à questão.

O fato é que as especulações sobre uma troca de candidatura, entrando Camilo Santana no lugar de Elmano, têm encontrado caminho para prosperar, por mais que os desmentidos aconteçam e que o próprio ministro da Educação (e senador licenciado) venha esclarecendo que afasta-se do cargo, entre o fim de março e começo de abril, apenas para ficar com tempo livre para se engajar na campanha. No caso, pela reeleição do atual governador e, também, do presidente Lula.

É preciso lembrar que uma operação de mudança de candidatura, no nível em que a coisa está agora, não seria fácil de ser operada em qualquer circunstância. A desistência de um nome que já está sentado na cadeira representa, como leitura inicial, um atestado de fracasso com a experiência de quem está no cargo. A única forma de evitar uma interpretação nessa linha seria o próprio, no caso específico falamos de Elmano de Freitas, apresentar uma razão forte que justificasse uma decisão pessoal de abrir mão do que muitos entendem como "candidatura natural".

Leia também: Elmano acena à oposição e agradece a Cid, Camilo e Lula

O eleitor cearense, em especial aquele que vota em Fortaleza, acompanhou algo bastante parecido no período pré-eleitoral de 2024. Especulou-se muito com a possibilidade de Roberto Cláudio, naquele momento o grande chancelador da gestão José Sarto, que o sucedera, substutuí-lo como candidato à prefeitura. Todos sabemos que isso não aconteceu, Sarto acabou derrotado de maneira fragorosa no primeiro turno, num terceiro lugar distante dos dois mais votados, e há quem atribua parte do seu desempenho ruim às dúvidas que se deixou criar ao longo da caminhada quanto à insistência com seu nome. Dúvidas, na verdade, que nunca existiram pra valer entre eles.

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Foto: carlus campos 0802gualter.jpg

Na busca de explicações para o que aconteceu, concluiu-se que a forte sombra que Roberto Cláudio representava para Sarto naquele momento, apesar do seu empenho inegável em favor do aliado, terminaria por gerar um problema na cabeça do eleitor. E, é importante lembrar, da mesma forma que Camilo faz agora, RC deu várias declarações públicas na época adiantando que não seria candidato, apesar, sabe-se hoje, de haver pesquisas internas apontando que seu nome seria muito mais viável para aquela disputa.

Não é o caso de estabelecer paralelos diretos, dadas as diferenças de ambientes, mas também não parece absurdo sugerir que o exemplo seja observado pela turma do governo como referência. O simples desmentido, como mostra o exemplo citado, não consegue segurar uma onda especulativa que, persistindo além da medida, arrisca deixar problemas sérios para administrar na fase de campanha efetiva.

É preciso que a cúpula do PT, os articuladores da montagem da chapa de situação no Ceará e quem mais tenha capacidade de influenciar na decisão a ser tomada encontrem uma forma de estancar qualquer incerteza, não permitindo que permaneça por mais tempo. Minha impressão pessoal, considerado aquilo que o nível de informações disponíveis permite alcançar, é de que o grupo vai mesmo de Elmano de Freitas e entendo que se trata de uma candidatura, se confirmada, viável e competitiva. Há necessidade hoje, somente, de encontrar um jeito de mostrar convicção sobre isso para convencer o conjunto da sociedade.

PL e o palanque de Ciro

Circulou, na semana, uma informação de que uma nova estratégia do PL nacional determinaria que houvesse palanques de candidaturas próprias ao governo em todos os estados. O presidente no Ceará, deputado federal André Fernandes, foi procurado pelos dirigentes dos partidos com os quais tem discutido a formação de uma frente ampla de oposição querendo saber melhor da história. Garantiu-lhes, na ocasião, que há um bloco já autorizado a abrir mão da cabeça de chapa em nome de um objetivo local e a situação cearense estaria entre as exceções. Ciro já deixou claro que quer uma aliança formal, caso seja o candidato, porque isso representa mais tempo no horário de rádio e TV e, conforme a situação, perspectiva de mais recursos do partido que terá o maior fundo eleitoral em 2026.

Mauro fica? Se sim, o governo ganha

A perspectiva de permanência do deputado federal Mauro Benevides Filho no PDT, caso se confirme, representará uma vitória importante do governismo numa das frentes de disputas abertas com a oposição. Bastante próximo a Ciro Gomes, de quem foi o principal assessor econômico nas campanhas presidenciais, por exemplo, o parlamentar tem sido especulado no PP, com direito a assumir o comando estadual da sigla, que, como federação ao lado do União Brasil, estaria acertado de compor a aliança que tentará derrotar o PT e aliados no plano estadual. Vice-líder do governo Lula em Brasília, prestigiado na função, seria estranho vê-lo, de repente, ao lado de quem só fala mal de uma gestão que ele apoia e defende. Seria ou será?

 

A força de uma marca, em números

O Grupo de Comunicação O POVO entrou no seleto clube dos 10 veículos mais premiados do Brasil, com 128 registros, no ranking Premiados da Imprensa Brasileira, realizado pela Jornalistas Editora Ltda. Demonstração de vitalidade, ainda mais pelo desempenho da plataforma digital OPOVO , que, nesse plano de comunicação, assumiu a liderança no Nordeste. Ou seja, à força histórica e reafirmada do impresso, que recém completou 98 anos ininterruptos de circulação, se soma uma presença destacada nos novos espaços que se criaram para a notícia, o que tem permitido alcances maiores, já não delimitáveis por fronteiras físicas, para o conteúdo de alta qualidade que se produz sob a marca jornalística com sotaque cearense marcando cada letra escrita ou cada palavra pronunciada. Coisa para ser contada em milhões. Sinto muito orgulho em ver meu nome vinculado a tudo isso, simplória que seja a contribuição que ofereço.

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O passeio acontecerá , parece, não acontecerá

João Campos (PSB), parece, não terá aquele passeio que se imaginava em sua candidatura ao governo de Pernambuco. O Datafolha colheu números atualizados e os divulgou na sexta-feira nos quais a governadora Raquel Lyra (PSD), candidata à reeleição, reduz a diferença que a mantinha distante do prefeito da capital na intenção de voto do eleitor. Campos precisará abrir do seu mandato atual, e já anunciou publicamente que o fará. Talvez imaginasse um cenário diferente do que este que apareceu, no qual ele apresenta 47% e Raquel, 35%, 12 pontos percentuais de diferença. É muito, mas bastante alcançável com oito meses ainda por percorrer.

Leia também: Campos acusa governo Raquel Lyra de espionagem após Polícia Civil monitorar secretário

 

Rueda, a Federação e a expectativa entre os oposicionistas

Conversei com uma fonte integrada ao nível decisório no bloco que monta a estratégia de oposição no Ceará. Consegui respostas para algumas questões que divido com o leitor por achar que dizem algo de como as coisas estão por lá nesse momento. Vamos por tópicos:

Antonio Rueda é confiável?

"Totalmente. Temos todas as razões do mundo para acreditar no seu compromisso de levar o União Brasil para oposição, ratificado por ele no jantar em Brasília, na quarta-feira"

E Moses Rodrigues, como fica?

"É, talvez, o deputado federal, de toda a bancada do União Brasil, com quem Rueda tem maior proximidade pessoal. A tendência é que seja liberado para fazer campanha de quem quiser no Ceará"

E Fernanda Pessoa?

"No caso dela, e do grupo do pai, prefeito Roberto Pessoa, eles próprios têm dito que deixam o partido. Imagino que é o que acontecerá"

No PP a questão também está resolvida?

"O Ciro (Nogueira) é muito empolgado com a candidatura do Ciro Gomes, devido ao peso nacional dele"

Por que já não foi anunciado, então?

"Deve acontecer quando a federação União Progressista, que une UB e PP, for oficializada. Não deve demorar muito, mas estamos tranquilos com as garantias que temos de Rueda e de Ciro"

O PL vai estar na aliança ou será apoio por fora?

"Estará na aliança, é nossa expectativa"

 


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