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Luizianne, o PT e as brigas pelo Senado
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Colunista de política, Gualter George é editor-executivo do O POVO desde 2007 e comentarista da rádio O POVO/CBN. No O POVO, já foi editor-executivo de Economia e ombudsman. Também foi diretor de Redação do jornal O Dia (Teresina).

Luizianne, o PT e as brigas pelo Senado

À medida que o tempo passa e a aliança governista mantém o suspense sobre os nomes que vão concorrer ao Senado, aumentam as chances de ficarem sequelas difíceis de serem administradas para a campanha
Tipo Análise
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Eleições 2026 (Foto: AdobeStock)
Foto: AdobeStock Eleições 2026

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A aliança governista precisa acelerar sua decisão quanto aos nomes que pretende apresentar como candidatos ao Senado. À medida em que o tempo passa e o assunto não se define aumentam as chances de ficarem sequelas difíceis de serem administradas para a campanha, quando ela oficialmente começar. Aliás, a tendência normal é que a demora abra espaço, até, para confusões novas.

A semana passada, por exemplo, ficou marcada por sinais mais claros de disposição para entrar na briga da deputada federal Luizianne Lins, ela que andava quieta e tinha o nome especulado em manifestações que pareciam isoladas, de aliados e aliados, dentro e fora do PT. O deputado estadual Renato Roseno (Psol), faz parte do grupo dos que vêm a ideia com simpatia e informa, inclusive, que pesquisas estão sendo realizadas para mostrar a viabilidade do nome e servir como instrumento de pressão para inserir a parlamentar no jogo. Claro que os números, que ainda estão sendo colhidos nas ruas, precisarão confirmar o que hoje é expectativa.

O que animou o entorno de Luizianne para engrossar mais a voz no debate interno foi a performance dela no último Paraná Pesquisas. É fato que ela até surpreende, por exemplo, aparecer em situação melhor que a do correligionário José Guimarães, que movimenta-se há anos de olho na cadeira de senador.

Luizianne Lins (PT), deputada federal(Foto: Rodrigo Carvalho, em 7/4/2019)
Foto: Rodrigo Carvalho, em 7/4/2019 Luizianne Lins (PT), deputada federal

Acontece que quase todo mundo que participa dessas conversas, haverá uma ou outra situação isolada a considerar, tem experiência suficiente para entender que não basta performar bem nas pesquisas, especialmente quando se considera uma aliança de perfil tão diverso quanto esse que envolve os partidos e os políticos reunidos hoje em torno do grupo que governa o Ceará.

A primeira questão a ser resolvida diz respeito ao espaço que o PT pode ocupar dentro de um contexto no qual há quatro vagas disponíveis na chapa majoritária e o partido já tem reservada pra si a cabeça. Ou seja, um petista disputará o governo do Ceará, prevendo-se, inicialmente, que o atual ocupante da cadeira, Elmano de Freitas, seja o candidato. É justo, diante disso, reservar uma segunda vaga para sigla?

A movimentação de Luizianne, nesse sentido, apresenta uma característica que exige uma atenção diferenciada: sinaliza, caso necessário, para uma mudança de filiação. Seria meio chocante, mas o eleitor cearense poderia ter a parlamentar como candidata ao Senado por outra sigla que não aquela à qual seu nome esteve sempre vinculado desde o começo de sua trajetória política como vereadora por Fortaleza.

José Guimarães, deputado federal(Foto: Aurélio Alves/O POVO)
Foto: Aurélio Alves/O POVO José Guimarães, deputado federal

Integrante da direção nacional da Rede Sustentabilidade, Pedro Ivo, cearense que fez parte da primeira equipe de secretários de Luizianne em Fortaleza, confirma à coluna que o convite para filiação está feito, incluindo uma pré-candidatura ao Senado já acertada, caso o PT bata com a porta na cara dela.

É um caminho, mas não parece certo que seja o de preferência ou o conveniente, já que outros fundamentos precisariam ser considerados e um deles seria entender onde entraria na equação o apoio do presidente Lula, que deverá estar em campanha de reeleição à altura.

O certo é que a entrada de Luizianne Lins na conversa com um pouco mais de força indica que a decisão sobre os nomes precisa mesmo ser tomada logo no bloco governista, como já dito anteriormente. À medida em que o tempo passa, com pelo menos nove nomes ainda especulados, aumenta o risco da disputa interna acabar em briga e gerar defecções. Tudo que a oposição deseja.

Ciro, do Piauí, está calado

O senador Ciro Nogueira (PP), aquele que tinha opinião sobre tudo e que influenciava o tempo todo nos rumos da política nacional, líder que segue sendo do Centrão, tem andado muito calado ultimamente.

Convém mesmo, na linha não ser visto para não ser lembrado, diante das fortes especulações acerca de sua proximidade com Daniel Varcaro, o nome forte do escândalo da vez pela quebra do banco Master e as circunstâncias que a envolvem.

De outra parte, o parlamentar piauiense trabalha em silêncio o próprio nome como alternativa de vice numa chapa de oposição à presidência, inclusive pelo fato de as chances de reeleição para o cargo que hoje ocupa parecerem reduzidas. Lembremos que ele se elegeu oito anos com decisivo apoio de Luiz Inácio Lula da Silva, num estado que costuma ouvir com muita atenção as orientações de voto do petista, com quem não estará agora.

O desafio de Aldigheri

O presidente da Assembleia, deputado Romeu Aldighrei (PSB), ainda vai definir como deve operacionalizar isso, mas tem como meta principal para volta dos trabalhos legislativos, amanhã, blindar a Casa das tensões eleitorais.

Há muito adversário político coabitando o espaço e cabe ao comando do parlamento buscar os pactos possíveis, em geral, diga-se logo, muito pouco respeitados.

Aldigheri talvez tenha uma solução própria para lidar com o problema, considerando que em outros momentos históricos era ele mesmo um dos focos de preocupação dada a sua convivência política difícil com adversários nas bases eleitorais, valendo citar Sergio Aguiar (Camocim) e seu primo Gonny Arruda (Granja), este último no momento sem mandato.

Quem ajudou a negociar

A escolha da futura sede da Câmara de Vereadores, que, anunciou-se ontem, será no endereço onde funcionou um dia o Mucuripe Clube e mais recentemente sediou um shopping popular, teve a ativa participação de empresários que consideram importante para Fortaleza que a área central seja revitalizada.

Inclusive na negociação com os proprietários do imóvel. Portanto, o presidente Leo Couto (PSB) terá como ponto de partida favorável uma participação prévia de vozes fundamentais para que a transferência aconteça sem muita polêmica.

Facilitar o acesso da população a um poder que se torna mais forte quando mais transparente for parece sempre uma ação importante de quem o comande. Lembrando-se que atualmente o legislativo municipal funciona no distante bairro Luciano Cavalcante, na rua Tompson Bulcão, 830.

Novos Talentos a caminho

O curso Novos Talentos está com inscrições abertas, até 19 de fevereiro, para seleção de um novo grupo de participantes. Promovido pela Fundação Demócrito Rocha (FDR) em parceria com o Grupo de Comunicação O POVO, trata-se do principal programa de formação e seleção de novos profissionais e é voltado para estudantes de Jornalismo a partir do 3º semestre.

O processo seletivo inclui provas de Português e Atualidades e Redação, além de um ciclo de palestras com profissionais da área. Os 10 alunos selecionados terão a oportunidade de passar por um treinamento prático de três meses nas diferentes editorias do O POVO e da rádio O POVO CBN, sob a supervisão dos jornalistas Plínio Bortolotti e Daniela Nogueira.

As inscrições devem ser feitas exclusivamente pelo site fdr.org.br/novostalentos.

Leitura rápida

Moses Rodrigues (União Brasil) deu uma embaralhada na história com o anúncio, durante entrevista no Cariri, de que seu candidato ao Senado é Cid Gomes (PSB), apesar de ser um adversário histórico dele e do seu grupo político-familiar em Sobral.

Primeiro porque Cid, ao que se sabe, não coloca seu nome à disposição. Depois, porque ele, Moses, é fator de mal estar entre o governo e parte do grupo dos Ferreira Gomes. Quem sabe, uma tentativa de acalmar ânimos.

Glêdson Bezerra (Podemos), prefeito de Juazeiro do Norte, frustrou bastante a expectativa do senador Eduardo Girão (Novo) com sua ausência, sexta-feira, no evento de lançamento no Cariri da pré-candidatura dele ao governo em 2026. Esperava-se que ele comparecesse.

Na primeira eleição de Glêdson, em 2020, o apoio de Girão foi fundamental. A tendência do prefeito, agora, é mesmo de apoiar a candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao governo.

Jade Romero (MDB) parece ter percebido que precisa acelerar as coisas quanto à sua situação na aliança, sob pena de ser atropelada. A situação hoje é a seguinte: ela tem mais apoio e respeito no PT do que em 2022, por um lado: por outro, seu partido, que a bancou na época, a excluiu dos planos prioritários para agora.

A vice-governadora quer, e está certa, uma definição do seu papel logo agora para que se adeque da melhor forma possível. Gostando ou não da solução.

 

 

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