É doutora em Educação pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Pesquisa agendas internacionais voltadas para as mulheres de países periféricos, representatividade feminina na política e história das mulheres. É autora do livro de contos
É doutora em Educação pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Pesquisa agendas internacionais voltadas para as mulheres de países periféricos, representatividade feminina na política e história das mulheres. É autora do livro de contos
Em janeiro do ano passado, após o discurso de posse de Trump, o mundo ficou em estado de alerta crônico. À época, escrevi um artigo intitulado de “O que o mundo perdeu com a vitória de Donald Trump”. Após um ano do governo, revisito o texto e percebo que a realidade atual está mais preocupante que o prognóstico lançado lá atrás.
O atual presidente dos Estados Unidos se enquadra no conceito de outsider político, indivíduos que adentram à cena política sem histórico partidário, geralmente oriundos da mídia ou do mundo dos negócios.
Donald Trump sintetiza em si os dois mundos. Isso porque encarna a figura de um grande empresário e, ao mesmo tempo, empreendeu uma carreira midiática durante a qual apresentou o programa O Aprendiz, além disso, participou de diversos programas de entrevistas, consolidando sua presença no cenário midiático.
Os outsiders prometem uma nova política, são anti-establishment e se fortalecem em meio à desconfiança da população nos políticos e no descrédito voltado às instituições.
O discurso dessas lideranças tende a reduzir a política institucional à corrupção generalizada e inalterável. Em contraposição, o mercado e a gestão privada são apresentados como modernos, ágeis, produtivos e, principalmente, blindados à corrupção.
Identificar a esfera pública como intrinsecamente corruptível e apresentar o espaço privado como impermeável à corrupção é, no mínimo, falacioso.
Contudo, o discurso seduz e envolve grande parcela do eleitorado. Deu certo nos EUA e na Argentina, com a eleição de Javier Milei, um legítimo outsider que ganhou notoriedade a partir de participações em programas de TV.
O surgimento dos outsiders na política coincide com a centralidade do capital especulativo na economia, da neoliberalização da política e do enorme poder das chamadas empresas transnacionais, algumas destas possuem riqueza maior que o Produto Interno Bruto (PIB) de muitos países.
O poderio dessas corporações extrapola a fronteira empresarial, atingindo em cheio o poder político. Desse modo, quando analisamos a política engendrada por Donald Trump, precisamos enxergar para além do perfil narcisista, megalomaníaco e histriônico do presidente.
Ele não é louco! Ele governa para uma plutocracia que define agendas e tomadas de decisões, para os plutocratas, a título ilustrativo, o orçamento anual da ONU estimado em U$ 3,45, é quantia ínfima quando comparada aos seus trilhões de dólares.
É certo que o desenho do poder político está profundamente alterado. O sistema corporativo e suas think tanks estão fagocitando a esfera política, o público e o comum. Para os plutocratas, organismos internacionais, como a ONU, podem ser solenemente ignorados quando suas diretrizes levam à limitação do lucro e da expansão.
Para esses novos donos do poder, os direitos humanos e o direito ambiental são entraves que precisam ser relativizados e até retirados de cena, pois um mundo totalmente desregulamentado é o sonho dos plutocratas, notadamente das Big Techs. E há uma aposta entre eles de que Donald Trump será sua fada madrinha.
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