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Atraso na liberação de mercadorias deve aumentar no Ceará, diz Sindifisco

Governo Federal nega negociação com o Sindicato. Enquanto isso, demora no despacho gera prejuízo a exportadores e importadores
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 Em nota, CSP confirmou reunião com Sindifisco, mas afirmou ter fluxo 
normal de cargas (Foto: JÚLIO CAESAR)
Foto: JÚLIO CAESAR  Em nota, CSP confirmou reunião com Sindifisco, mas afirmou ter fluxo normal de cargas

O atraso na liberação de mercadorias para importação e exportação no Ceará, observado na última semana de 2021, persiste no início deste ano e o atraso que gira em torno de uma semana deve aumentar, segundo admitiu o Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal no Ceará (Sindifisco-CE). A chamada operação padrão, na qual os servidores executam as tarefas sem cumprimento de metas, aliada à falta de chefia - deflagradas após a greve dos servidores - ameaça o comércio exterior cearense desde o fim de dezembro.

 "A adesão dos colegas às ações continua crescendo e está havendo acúmulo de declarações de importação pendentes de análise. O atraso hoje na liberação é de cerca de uma semana, mas com esse acúmulo de declarações pendentes de análise, o período de atraso na liberação das mercadorias vai continuar aumentando", afirmou Natália Nobre, presidente do Sindifisco-CE, ao O POVO.

Na semana passada, ação dos auditores no Porto do Pecém resultou em filas de caminhões no terminal. O impacto sobre a economia local é esperado pela falta de insumos para produção, devido às importações impedidas de saírem dos portos, e prejuízo dos exportadores, que têm os envios de produtos em ritmo lento.

Além disso, há mais custos para a manutenção das mercadorias na área de trânsito dos portos e aeroportos. Taxas de uso dos contêineres cobradas em dólar são o principal adicional, segundo empresas de despacho aduaneiro já relataram ao O POVO. Os processos dessas empresas, inclusive, são mantidos em ritmo lento desde a entrega dos cargos de chefia pelos auditores.

O movimento foi deflagrado no fim de 2021, após o Governo realizar o corte no orçamento da Receita Federal em 50% para o ano de 2022 ao mesmo tempo que aumentou o salário da Polícia Federal, e segue sem negociações. Por isso, o Sindifisco convocou uma nova assembleia para intensificar as ações de protesto, segundo informou Renata Nobre.

CSP diz ter cargas com ‘fluxo normal’

Ainda na semana passada, o sindicato atendeu ao pedido da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP) para uma reunião. A agenda foi marcada após as filas identificadas na entrada do Porto. A CSP é a principal indústria exportadora do Estado, representando 50% da pauta de exportação pelo envio de placas de aço ao exterior.

"Foi uma reunião tranquila. Não posso entrar em detalhes, mas basicamente nós esclarecemos os motivos do nosso movimento e eles destacaram os prejuízos que podem ter com a continuidade dessas nossas ações", disse a presidente do Sindifisco-CE.

Renata Nobre afirmou ainda que nenhum tratamento especial às cargas da CSP foi pedido pela empresa e também não foi prometido pelos auditores.

Em nota, a siderúrgica disse que "as cargas da empresa estão tendo fluxo normal, sem paralisação." No entanto, na semana passada, quando ocorreram as filas no Porto do Pecém, os caminhões com placas eram vistos impedidos de entrar no terminal. "A respeito da reunião realizada com o Sindifisco, a empresa considera o resultado positivo e espera por um breve desfecho da situação", conclui a CSP.

Procurado, o Complexo do Pecém, responsável pela administração do terminal marítimo de mesmo nome, informou que "as operações no terminal portuário do Pecém seguem normais nessa quarta-feira (ontem)."

(Colaborou Samuel Pimentel)

 

Receita

Segundo o Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal (Sindifisco), mais de 1.200 auditores já haviam entregue os cargos no começo dessa semana, em um total de 7.500.

 

Filas

Imagens de cerca de 200 caminhões em Pacaraima, fronteira com a Venezuela, esperando a liberação de carga na alfândega foram divulgadas pelos servidores ontem. Segundo George Alex de Sousa, presidente do Sindifisco da regional de Brasília, "situações como essa tendem a se espalhar pelo país e pelas fronteiras, caso o Governo permaneça em silêncio".

 

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