Em busca de estreitar relações com o Brasil, o Banco Europeu de Investimentos (BEI) enxerga no Ceará potencial e avalia áreas para desenvolver parcerias. Ao O POVO, o vice-presidente do BEI, Ricardo Mourinho, aponta os setores de energia e saneamento, mas destaca que o microcrédito produtivo tem obtido bons resultados a partir de parceria com o Banco do Nordeste (BNB).
Em Fortaleza na última semana, o executivo destacou o papel de bancos de fomento como canais para redução de desigualdades e o foco do BEI nos esforços europeus em prol da transição energética, citando o hidrogênio verde como tecnologia determinante neste processo.
Mourinho pontua que as pretensões do BEI em hidrogênio são "ilimitadas". "A importância do hidrogênio verde nesta transição climática é enorme e por isso o BEI está interessado em financiar projetos de H2V. É uma tecnologia que está sob o ponto de vista comercial numa fase inicial, que para que seja viável precisa ser escalada em nível industrial sob custos competitivos".
"Sabemos que o Brasil tem condições excelentes para produção de energias renováveis e é preciso agora desenvolver toda cadeia de produção, distribuição, abastecimento e a utilização final", continua.
A atuação do BEI no Ceará se dá atualmente através de parceria com o BNB, iniciada em 2020, em que foram injetados 200 milhões de euros em projetos de microcrédito. Com o banco regional brasileiro, desenvolve o Crediamigo Delas, programa do Banco do Nordeste voltado para financiar atividades produtivas de empreendedoras formais, recebeu um investimento de aproximadamente R$ 1 bilhão em recursos do Banco Europeu de Investimentos (BEI), que serão utilizados até 2025, beneficiando cerca de 400 mil mulheres.
Desde a criação do programa, em março de 2021, 565 mil clientes já foram atendidas e 830 mil operações de crédito realizadas, totalizando um montante de R$ 2,2 bilhões em contratos, dando em média R$ 2,6 mil por beneficiária. E a expectativa do BEI é de que, com o valor financiado por eles, sejam impactadas mais 400 mil microempreendedoras do Crediamigo Delas.
Devido ao sucesso da iniciativa, Mourinho revela que o BEI já observa novas oportunidades de cofinanciamento, aproveitando a experiência de seis décadas do BNB em projetos relacionados a saneamento e abastecimento de água.
O Banco Europeu atualmente tem uma carteira de investimentos na América Latina de mais de 2 bilhões de euros e, desde 1997, já financiou mais de 5 bilhões de euros no Brasil. Neste momento, há uma exposição ativa - de crédito ativo a ser reembolsado - de mais de 2 bilhões de euros. No ano passado o BEI financiou na América Latina 1,7 bilhão de euros, sendo no Brasil 700 milhões de euros.
"A nossa ambição é manter ou aumentar esses valores e esse é um dos objetivos pelos quais decidimos abrir um escritório em Brasília para fomentar essa relação bilateral e, se possível, aumentá-la", afirma.
Mourinho pontua ainda que "o mais importante" é existirem projetos alinhados às prioridades de investimentos da União Europeia, como conectividade, energia e digital, mas também de educação e saúde.
Na atividade do Banco Europeu de Investimentos (BEI) na América Latina, o Brasil responde por 40% de todos os projetos e o executivo enfatiza que é o local com maior potencial e onde encontram dos governos "bastante vontade" em desenvolver iniciativas em parceria.
Setores
No País, os principais setores que receberam financiamento do BEI no Brasil foram: energia (51,9%), telecomunicações (15,68%), indústria (14,15%), linhas de crédito variadas (10,06%) e transportes (4,03%)
Brasil
Na atividade do Banco Europeu de Investimentos (BEI) na América Latina, o Brasil responde por 40% de todos os projetos