A Prefeitura de Caucaia mira se fixar como polo tecnológico de referência para o Nordeste. Além disso, quer aproveitar que o data center do TikTok vai fomentar a chegada de cabos de fibra óptica ao município, na Zona de Processamento de Exportação (ZPE-CE), para pedir a contrapartida dessa conexão chegar à população, nos espaços públicos.
Para o primeiro objetivo, é importante sair do papel o Parque Tecnológico de Caucaia (Partec). O desenho é de um espaço para abrigar startups, centros de Pesquisa & Desenvolvimento, além de grandes empresas.
A ideia é que haja benefícios fiscais específicos para quem se instale no local, como redução de ISS e isenção de IPTU. Estadualmente, seria negociada a redução de até 75% do ICMS, além de incentivos federais.
O passo atual é de estudos de localização, que devem avançar nos próximos 90 dias, mas outros caminhos foram aprovados, conforme detalha em entrevista ao O POVO o secretário de Ciência, Inovação e Desenvolvimento Tecnológico de Caucaia, Machidovel Trigueiro Filho.
Ainda em outubro de 2025, a lei 3.940 foi sancionada, reestruturando a gestão de incentivos fiscais, estendendo o Comitê Especial de Avaliação de Benefícios (Ceab) para gerenciar o programa Cauctec, este voltado especificamente para empreendimentos de base tecnológica. Teve também a 3.941, que instituiu o próprio Partec.
Machidovel frisa que é um processo lento de construção desse projeto. “Ainda estamos delimitando o local, estamos vendo o modelo que vai ser. Estive em São José dos Campos, no PIT (Parque de Inovação Tecnológica), estive em Recife, no Porto Digital, para entender o modelo deles, e também em Santa Catarina. É um processo que vai ser maturado ao longo do governo Naumi (Naumi Amorim-PSD). Mas o primeiro passo, a pedra fundamental, foi fundamentada pela criação da lei.”
Nesse cenário de prospecções, a Prefeitura está em processo de contratação de consultoria para identificar uma poligonal para a instalação do Partec.
“A gente quer transformar Caucaia na terra da inovação”, complementa, acrescentando que não se tem ainda o valor de custo desse acordo.
A cartilha de atração de investimentos é outra vertente para conseguir a instalação de empresas. “Vou fazer visita ao ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), levar o ITA lá, o instituto Atlântico, que é um instituto privado dos melhores de tecnologia, IFCE (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará), com o Wally (Menezes, reitor), e com o Jarbas (Martins), que é o diretor da parte de Caucaia (IFCE); Tem também o Cria, do qual sou o coordenador, que é o Centro de Referência de IA (inteligência artificial) da UFC (Universidade Federal do Ceará)… Estamos buscando não somente as empresas privadas, como os institutos.”
Dentre as entidades, Federação das Indústrias do Ceará (Fiec) e Federação do Comércio do Estado (Fecomércio) estão na agenda de encontros para parcerias.
Como estrutura da gestão para tocar projetos, o gestor cita a criação da Secretaria de Inovação (SMCIDT), por meio da lei 3.844/2025 e o foco em desburocratização na abertura de empresas, mirando o licenciamento em empresas tech, tecnológicas.
Mas, apesar dessas movimentações, Machidovel destaca as vantagens do município, como “ter energia barata, ventos e sol abundantes, e energia renovável.”
“Vamos ter oportunidades de data centers menores, com grandes oportunidades dentro do Partec para receber data center de borda, edge… E temos conectividade, pois vão passar por Caucaia cabos de fibra ótica que vão ligar a Praia do Futuro até a ZPE do Pecém.”
Sobre a conectividade de cabos para Caucaia que a gestão quer como contrapartida das empresas investidoras do data center, o secretário detalhou que cerca de três pontos de conexão serão puxados da Praia do Futuro para a ZPE.
“Mas quero que isso se reflita em internet de menor latência (mais rápida), em espaços públicos, como praças. Preciso de conectividade nas escolas, no setor de saúde, e para isso preciso de infraestrutura subterrânea, ficando mais difícil ter queda de internet na Cidade.”
Para ele, esse pleito da internet seria um sexto pilar de contrapartida da Omnia, responsável pela infraestrutura de data center do TikTok, que disse ao O POVO retornar ao Ceará em cinco eixos de desenvolvimento, envolvendo: desenvolvimento tecnológico; fortalecimento da cadeia de fornecedores e empresas locais; compromisso de contratação de equipamentos nacionais; desenvolvimento do sistema elétrico; e desenvolvimento econômico e social das comunidades do entorno.
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poligonal
Nesse cenário de prospecções, a Prefeitura está em processo de contratação de consultoria para identificar uma poligonal para a instalação do Partec