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Mourão contraria fala de Bolsonaro e defende isolamento

Vice afirma que presidente "pode ter se expressado de forma que não foi a melhor", sobre discurso de terça-feira
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MOURÃO participou ontem, ao lado de Bolsonaro, de videoconferência com Governadores do Sudeste (Foto: Marcos Corrêa/Presidência da República)
Foto: Marcos Corrêa/Presidência da República MOURÃO participou ontem, ao lado de Bolsonaro, de videoconferência com Governadores do Sudeste

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, enfatizou que a posição do governo para combater a pandemia da Covid-19 "é uma só" e continua sendo isolamento e distanciamento entre as pessoas. Ontem, em coletiva de imprensa após reunião do Conselho Nacional da Amazônia Legal, órgão que preside, Mourão declarou ainda que o presidente Jair Bolsonaro pode não ter se expressado da melhor forma em pronunciamento na véspera, quando criticou o confinamento orientado por autoridades.

"A posição do nosso governo, por enquanto, é uma só. A posição do governo é o isolamento e o distanciamento social", disse Mourão. O vice ponderou que a orientação para isolamento está sendo discutida.

"Ontem (terça-feira), o presidente buscou colocar e pode ser que ele tenha se expressado de uma forma, digamos assim, que não foi a melhor. Mas o que ele buscou colocar é a preocupação que todos nós temos é com a segunda onda", afirmou o vice-presidente, explicando que a segunda onda são os impactos na economia.

Mais cedo, Bolsonaro afirmou que pediria ao Ministério da Saúde mudança na orientação de isolamento da população durante a pandemia. A recomendação defendida pelo presidente é que o distanciamento seja adotado apenas para idosos e pessoas com comorbidades (outras doenças).

Mourão defendeu que a mudança do isolamento horizontal, envolvendo todas as pessoas, para o vertical, defendida por Bolsonaro, seja gradual após um período de 14 dias. É preciso liberar as pessoas das atividades essenciais para a "vida vegetativa" do País, declarou o vice.

Apesar das divergências entre Bolsonaro e o próprio Ministério da Saúde, Mourão enfatizou que o presidente da República está dentro da política traçada pelo Governo e orientada pelo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. A preocupação de Bolsonaro, afirmou, é com o "verdadeiro desmantelamento da economia".

A reunião de ontem do Conselho Nacional da Amazônia legal decidiu que o órgão irá concentrar ações no combate ao desmatamento e às queimadas na região e no enfrentamento do novo coronavírus.

Mourão anunciou a pretensão de instalar 12 postos avançados ao longo da fronteira do Brasil com outros países para impedir a entrada de pessoas infectadas pela Covid-19 no território nacional. Bolsonaro assinou decretos fechando o País para estrangeiros de países que fazem fronteira com o Brasil.

Serão um posto entre Amapá e Guiana Francesa, três entre Amazonas, Colômbia e Peru, três entre Roraima, Guiana e Venezuela, três entre Acre, Peru e Bolívia, e dois entre Rondônia e Bolívia. "Esse monitoramento é para buscar e impedir o ingresso de pessoas que venham dos nossos vizinhos fronteiriços portanto já essa enfermidade", disse Mourão. (Agência Estado)

 

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