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"Novo ministério" para Camilo: ideia ruim
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Colunista de política, Gualter George é editor-executivo do O POVO desde 2007 e comentarista da rádio O POVO/CBN. No O POVO, já foi editor-executivo de Economia e ombudsman. Também foi diretor de Redação do jornal O Dia (Teresina).

"Novo ministério" para Camilo: ideia ruim

Noticiou-se que o próprio líder do governo na Câmara, deputado federal cearense José Guimarães (PT), trabalhou junto à cúpula o nome do seu conterrâneo e correligionário para a vaga aberta com a demissão meio inesperada
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Camilo Santana, ministro da Educação (Foto: Samuel Setubal/O POVO)
Foto: Samuel Setubal/O POVO Camilo Santana, ministro da Educação

Há movimentos na política que parecem difíceis de entender. Por exemplo, este dos últimos dias que incluiu o nome do senador cearense Camilo Santana, atual ministro da Educação, entre os possíveis sucessores de Ricardo Lewandowski na pasta da Justiça. Coisa séria, confirmada, não era uma especulação vazia.

Noticiou-se que o próprio líder do governo na Câmara, deputado federal cearense José Guimarães (PT), trabalhou junto à cúpula o nome do seu conterrâneo e correligionário para a vaga aberta com a demissão meio inesperada. A possibilidade, conforme o próprio parlamentar, teria sido tratada durante encontro com a ministra Gleisi Hoffmann, que cuida da articulação política no Palácio do Planalto. Aparentemente, a ideia perdeu entusiasmo quando ficou claro que o planejamento eleitoral de 2026 no Ceará estaria comprometido, já sendo esquisito que isso não parecesse perceptível desde a hora em que a brincadeira começou.

O que chama atenção, pra mim, é o simples fato de o assunto ter sido cogitado. Inexiste uma forma de imaginar a eventual troca de cadeiras envolvendo Camilo Santana como algo favorável a ele, ao governo ou ao partido, especialmente quanto ao planejamento de manter o controle da política cearense. A presença dele (Camilo) é um ponto fundamental, sendo ou não candidato, e, imagina-se, quem assumir agora na vaga de Lewandowski precisa ter um compromisso de permanecer ministro pelo menos até o final do governo atual. O preço a pagar de largada, portanto, seria a exclusão do processo de um personagem central para a estratégia, ou, pelo menos, uma redução expressiva na possibilidade de presença, lembrando-se que a programação que está anunciada prevê sua desincompatibilização no prazo legal do começo de abril.

A coluna não tem (não conseguiu) a palavra de Camilo Santana, mas ouviu gente que lhe é próxima. Quem falou diz que não existe a menor possibilidade do fato se concretizar e um dos consultados, inclusive, garantiu ter ouvido sonoras gargalhadas do próprio ministro quando procurado para saber o que estava acontecendo. Uma forma mais leve dele expressar que considera tudo uma grande piada, imaginando eu que na sua cabeça de um gosto bastante duvidoso.

A simples especulação, porém, pode indicar uma espécie de alheamento de vozes petistas locais quanto à dura realidade que enfrentarão na temporada eleitoral em relação ao debate sobre segurança pública. No caso do Ceará, já se disse muitas vezes, nem mesmo a apresentação de números positivos, como os que apareceram estes dias com uma redução de 7,7% nos homicídios em 2025 na comparação com o ano anterior, reduz a sensação geral de que o que está sendo feito é insuficiente. Há luta e há ação, mas não há exemplo positivo a oferecer ao País quando se olha para os resultados.

Ou seja, se na educação temos um retrato bonito, o que justificou a ida de Camilo Santana para o ministério acompanhado de uma delegação de cearenses que têm ocupado postos-chave desde o começo do governo, na segurança pública dá-se o contrário. Portanto, apesar de haver, segundo consta, uma intenção inicial do presidente Lula de escolher um político, se possível ex-governador, para a vaga que Ricardo Lewandowski abriu com sua demissão, escolher alguém que represente o que acontece hoje por aqui não parece algo politicamente adequado. Arriscaria dar escala nacional a uma situação que, no cenário de agora, desafia o PT do Ceará essencialmente em relação ao eleitor do Ceará, o que já representa muito.

As palavras de Ivo Gomes

O desabafo em série do ex-prefeito e ex-deputado Ivo Gomes, em maratona pelas emissoras de rádio de Sobral, está sendo absorvida por gente que acompanha, politicamente, o grupo da família para tentar entender se há mensagens subliminares. Foram palavras até claras, em pontos como o anúncio de que não há mais compromisso em apoiar a reeleição de Elmano de Freitas ou na indicação de que o voto no irmão Ciro Gomes (caso candidato ao governo pela oposição) é uma possibilidade real. No entanto, uma atitude com esse nível de repercussão, consideradas as pessoas envolvidas, sempre guarda algum aspecto que precisa de uma depuração para entender seu sentido real.

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O resultado de quem ele é

Ivo Gomes (PSB) é ex-prefeito de Sobral(Foto: Reprodução/Instagram Ivo Gomes)
Foto: Reprodução/Instagram Ivo Gomes Ivo Gomes (PSB) é ex-prefeito de Sobral

A coluna buscou uma dessas pessoas, que não apresentou qualquer sinal de surpresa. "É uma figura controversa, de posições progressistas numa alma autoritária, conservadora, herdada do pai", definiu a fonte. Sua ação de agora, complementa, tem a ver com o estilo mais próximo ao do Ciro Gomes, ofensivo e disposto a defender os domínios da família sempre que os considera ameaçados. "Por isso é que escolheu Camilo Santana como alvo, recusando-se a aceitar que ele tenha se transformado no maior líder político do Ceará", conclui. E Lia Ferreira Gomes, hoje, inclusive, na equipe de secretários de Elmano de Freitas? "É um pouco mais disciplinada, próxima ao estilo Cid", finaliza, avaliando, no final, que a história, espremida, não traz surpresas.

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Uma tragédia, faz tempo

Extraída a questão puramente eleitoral da crítica, o ex-prefeito Roberto Cláudio está correto na cobrança ao governo para que evite clima de comemoração com os números fechados de homicídios em 2025, que apontam uma queda de 7,7% nas ocorrências. De fato, seria cruel demonstrar qualquer alegria diante de uma estatística que expressa, no total, 3.201 mortes violentas ao longo de 12 meses, é coisa de guerra. No entanto, o ideal é que se discuta a situação em tom sereno para encontrar um caminho de reversão, venha ele de governistas ou oposicionistas, começando por aceitar que é uma realidade com a qual lidamos faz muito tempo e, infelizmente, não se trata de um fenômeno pontual, das circunstâncias de momento. Quer um exemplo? Fechamos o longínquo ano de 2013, quando RC era um aliado do governo de então, com 4.473 registros do tipo catalogados. Bem aliado, pode-se dizer, sentado na cadeira de prefeito de Fortaleza.

Limite dos privilégios

A família do ex-presidente Jair Bolsonaro, assim como parcela boa dos simpatizantes e até uma parte de seus advogados, parece não ter ainda entendido sua condição atual de condenado pela justiça, cumprindo pena. As queixas sobre as condições desconfortáveis nas dependências da Polícia Federal, a exigência de que ele seja liberado para sair assim que pedir, quase sem discussão, pedidos como este último de uma Smart TV, indicam uma certa confusão no entendimento da realidade. E olhe na condição de ex-presidente da República, justificadamente, já lhe tem garantido algumas regalias em geral negadas ao conjunto de condenados recolhido às nossas prisões e penitenciárias, centenas de milhares de pessoas.

 

Política na horizontal

Júnior Mano (PSB) toca seu projeto de candidatura ao Senado normalmente e, inclusive, passou agora também a movimentar no mundo das redes sociais, neste caso valendo-se do WhatsApp, para divulgar suas ações como deputado federal, através de um grupo denominado de "Time Mano".

Não que ele estivesse parado, mas a excessiva prioridade nos movimentos ao corpo-a-corpo com políticos, prefeitos etc estava concentrando de maneira exagerada a parte mais visível de sua pré-campanha, aquela das ações que viram notícia, nas costas do senador Cid Gomes, seu padrinho político.

Eduardo Girão (Novo) organiza para o próximo dia 30 o evento "Ceará tem jeito" na região do Cariri, como marco de lançamento de sua pré-candidatura ao governo do Ceará. Sua expectativa, quanto à região, é de ter apoio do prefeito de Juazeiro do Norte, Glêdson Bezerra (Podemos).

Os dois têm uma boa relação, é verdade, o senador mostrou-se fundamental para a primeira eleição de Glêdson em 2020, mas pode-se dar como certeza, a essa altura, apenas que o prefeito vai estar com a oposição. O fato é que o nome de Ciro Gomes, por exemplo, lhe entusiasma muito mais.

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Flávio Bolsonaro (PL) estaria organizando uma vinda breve a Fortaleza, mesmo que ainda não exista uma data em vista. Há quem defenda que isso aconteça o mais cedo possível para se conseguir aparar arestas que ainda geram muitas dúvidas.

Sua missão seria ajustar as coisas depois que a barulhenta passagem por aqui de Michelle Bolsonaro desmontou um plano que previa o apoio do PL a Ciro Gomes como candidato a governador, dentro da prioridade de derrotar o PT. Flávio, lembre-se, era um dos alvos preferenciais de Ciro no tempo em que ele se divertia falando mal da família Bolsonaro.

 

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