Em convenção que a oficializou como candidata à Prefeitura de Fortaleza ontem, a deputada federal Luizianne Lins (PT) fez críticas indiretas ao também postulante Capitão Wagner (Pros). Segundo a petista, "não dá mais para o povo brasileiro entrar em aventura de gente como Bolsonaro".
Ao lado do candidato a vice, Vladyson Viana (PT), Luizianne afirmou que é "importante que, neste momento, a gente não vá com esse discurso besta de que é o 'novo'" e que "todo mundo achou que Bolsonaro era novidade" em 2018.
"Dessas novidades o povo não precisa mais, porque a vida está sofrida", acrescentou a concorrente. "Fortaleza precisa se recuperar da pandemia e recuperar a sua alma para a gente falar de uma cidade que vai ser novamente exemplo de uma cidade agregadora e da cultura da paz."
Formada por titular e vice do partido, a chapa petista foi chancelada no fim do prazo de convenções partidárias. Luizianne foi a última postulante a ser homologada desde o início do período, em 31 de agosto. Ao todo, dez candidatos participam da disputa.
A parlamentar dedicou os últimos dias da reta final a tentar costurar uma aliança com outra legenda para o posto de vice. A mudança nas regras eleitorais, no entanto, estimulou os partidos a lançarem nomes próprios, caso de Psol, PCdoB e SD, siglas com as quais o PT chegou a manter tratativas.
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Para a dupla petista, porém, a chapa "puro-sangue" representa conquistas da gestão de Luizianne à frente da Prefeitura, de 2005 a 2012, e também dos anos de governo do ex-presidente Lula.
Na convenção, a ex-prefeita, que já havia concorrido ao Paço em 2016, repassou marcos de sua administração, a exemplo da revitalização do Carnaval e de outras festividades importantes para o calendário da capital cearense, como as festas juninas.
"Fizemos grandes coisas. O pré-Carnaval foi construção do nosso governo, o Carnaval de qualidade, o aniversário da cidade, as festas juninas que foram contempladas, o Réveillon. Isso só para falar das políticas ligadas diretamente à Secretaria do Turismo, que sequer existia quando assumimos", afirmou.
Em seguida, citou a rede de "Cucas, o Hospital da Mulher e a maior obra de urbanização da América Latina, que é o Vila do Mar". E acrescentou: "Poderia falar de milhares de casas que entregamos. Diminuímos 16 áreas de risco nesta cidade. Podia falar da Rosalina, reconstruída por nós, e da comunidade Maravilha".
Em seu primeiro discurso como postulante, Luizianne enfatizou o "legado petista na cidade", como o congelamento da passagem de ônibus, que "não aumentou durante um governo inteiro e que durante os oito anos tivemos apenas dois aumentos".
Mas também firmou novos compromissos para um eventual futuro governo. "Agora é olhar para a frente. É hora de avançar mais", projetou. "Nosso programa contempla estratégias de combate à desigualdade social e à violência urbana, acesso a serviços públicos, mobilidade."
Disputando o Paço pela quarta vez, a deputada se comprometeu em ampliar o atendimento de creches na Capital. "Todas as crianças de zero a três anos, até o final do nosso governo, estarão com vagas nas creches. É um compromisso que assumo, inclusive como mãe", anunciou.
Sobre a candidatura lançada depois de se eleger deputada federal em 2018, atrás apenas de Capitão Wagner e de Célio Studart (PV), ambos adversários, Luizianne disse: "Eu volto por necessidade e porque meu povo está precisando de mim. É uma missão política de quem quer ver de novo essa cidade em paz".
E, antes de finalizar, repetiu o que deve o ser o bordão de campanha na briga pela Prefeitura: "Eu sei o caminho porque nós já começamos essa construção. Vamos reconstruir Fortaleza".