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Motim atingiu hierarquia da Polícia Militar, diz oficial

Episódio 3

Motim atingiu hierarquia da Polícia Militar, diz oficial

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Para um oficial superior com 20 anos de PM, cuja identidade será preservada, a paralisação foi “a pior coisa que já aconteceu” na história da corporação. Isso porque, conforme diz, o movimento atingiu o "pilar" da PM: a hierarquia. Ele exemplifica isso narrando ter sido rendido por PMs armados, que tinham um ou dois anos de farda, cujo objetivo era tomar viaturas e quartéis.

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Para além do período de paralisação, descreve o oficial, ainda houve o que ele chamou de “greve branca”, uma “leniência” que durou cerca de três meses após o fim do movimento e só teve fim quando os militares viram as punições ocorridas na Justiça. O resultado, porém, diz o oficial, já havia sido sentido: a crescente no número de homicídios.

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“As facções estavam na UTI e conseguiram se reerguer e tomar território. Coincidiu que o CV (Comando Vermelho) conseguiu retomar territórios e, antes da greve, o MPCE (Ministério Público Estadual), a Draco (Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas) conseguiram enfraquecer a GDE (Guardiões do Estado)”, diz o oficial. “Com a greve, o CV se expandiu, ganhou terreno e ficou mais forte, porque, quando você enfraquece uma facção, a outra cresce. Então, o CV, hoje, domina a maioria do Estado em consequência da greve”.

O oficial ainda conta que, em conversas com militares de outros estados, foi constatado que a postura tomada pelo Governo do Estado de não anistiar os amotinados impediu que a paralisação se estendesse para outros locais do País. Apesar disso, ele acredita que, atualmente, a tropa voltou ao ritmo de antiga. Reflexo disso, cita, é a diminuição no número de homicídios.

O promotor de Justiça Militar Sebastião Brasilino diz perceber na corporação um “sentimento de indignação" pelo motim, contra os "transgressores que fizeram isso com a corporação". "O militar que tem esse tipo de conduta, ele, na verdade, pode ser tudo, menos militar", afirma.

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