Colunista de política, Gualter George é editor-executivo do O POVO desde 2007 e comentarista da rádio O POVO/CBN. No O POVO, já foi editor-executivo de Economia e ombudsman. Também foi diretor de Redação do jornal O Dia (Teresina).
Colunista de política, Gualter George é editor-executivo do O POVO desde 2007 e comentarista da rádio O POVO/CBN. No O POVO, já foi editor-executivo de Economia e ombudsman. Também foi diretor de Redação do jornal O Dia (Teresina).
O leitor mais implicante dirá que o título da coluna é enganoso, na medida em que perceber que minha tese não é de que teremos Camilo Santana contra Ciro Gomes na briga pelo governo do Ceará em 2026. Pelo contrário, sigo projetando que nenhum dos dois terá o nome na urna em outubro, muito embora deva admitir que a evolução das coisas tem feito balançar minhas convicções em relação, muito especialmente, ao caso de Ciro.
O fato é que o ano começa com um quadro na política cearense que localiza dois blocos bastante definidos. As especulações que acontecerem ao longo dos próximos meses, até que chegue o momento oficial das decisões, com o calendário de convenções, estarão atreladas aos movimentos de Camilo e Ciro, sem, necessariamente, vínculo a candidaturas próprias.
"Obrigado meu Deus, pelo ano de 2025! E que em 2026 nosso Senhor nos renove as forças, cobrindo de bençãos todo o nosso povo
"
Do ponto de vista do governador Elmano de Freitas, correligionário de Camilo que deve disputar reeleição, essa posição de coadjuvante é um problema? Acho que não e, pelo contrário, até pode lhe servir como fator de tranquilidade para as conversas em torno de aliança porque a depender do que aconteça, e imaginando que dificuldades apareçam para viabilização de seu projeto de reeleição, há um nome pronto para ser oferecido. Seria um gesto meio de desespero, mas, sem dúvida, de grande impacto.
Fortalecido dentro do PT e hoje com peso nacional, por sua atuação bem avaliada no ministério, Camilo Santana trará essa influência de fora para dentro e toda conversa sobre eleição no Ceará, na perspectiva governista, passará por ele. É o que já tem acontecido hoje, na real, o que não pode ser confundido com objetivo pessoal de entrar diretamente na disputa. Tal hipótese, pode-se reafirmar com alguma convicção, não está considerada para hoje.
O jogo de Ciro Gomes também é meio de um enxadrista, muito embora seus movimentos sejam um pouco mais agressivos. Sinaliza o tempo todo para os aliados - antigos e novos, tradicionais e surpreendentes - disposição de dar alguns passos pra trás, trocando o projeto nacional que o ocupou nas últimas duas décadas e alguns anos por uma volta ao Ceará.
Acontece que o quadro favorável do momento, em determinados cenários que as pesquisas apontam, diz respeito a um momento. Tem muito a ver com o recall que lhe garante o período de atuação nacional, com quatro campanhas à presidência da República durante o período, e, ele sabe disso mais do que a maioria de nós, a tendência seria de mudança com o passar do tempo.
A candidatura "natural", nesse lado, seria de Roberto Cláudio, ex-prefeito de Fortaleza que acaba de se filiar ao União Brasil. Aliás, opção que pode complicar sua vida, mas essa é outra história. Aqui, no meu entendimento, repete-se o que acontece entre os governistas e o protagonismo de Ciro não gera qualquer constrangimento para quem reafirma o tempo todo sua disposição de brigar pelo governo em outubro, liderando o bloco da oposição. A existência de um nome forte como possibilidade, ao contrário, até lhe garante um certo conforto para os movimentos pré-eleitorais.
O fato é que o jogo passa, de um lado e de outro, pelos dois líderes. O que ajuda a justificar a opção preferencial de Ciro por atacar Camilo, meio que ignorando Elmano de Freitas na maioria de suas ações. Por isso, também, é que partiram deles as principais mensagens de fim de ano com objetivos claros de animar as tropas com as quais contarão para levar distante os planos traçados para 2026, com candidaturas ou sem elas.
"Desejo um feliz 2026, mas não posso esquecer que as autoridades estão desmoralizadas ou até fazendo acordos imorais com organizações criminosas
"
Terminou bem para o prefeito Evandro Leitão (PT) o primeiro Rèveillon organizado pela sua gestão. É uma festa sempre esperada com muita expectativa e apreensão, por tudo que a envolve e pelos riscos que sempre há diante da perspectiva reunir multidões, como sempre acontece.
Deu tudo certo, o prefeito marcou sua diferença do antecessor fazendo-se presente a tudo e, além disso, acertou com o investimento na descentralização ao montar palcos fortes para os eventos no Conjunto Ceará e Messejana, além daquele já tradicionalmente montado na Praia de Iracema.
O senador Luiz Eduardo Girão (Novo) decidiu mesmo aproveitar toda oportunidade que aparece para transformar em evento político qualquer coisa que lhe sirva de exploração mais adiante na campanha eleitoral.
Lembrando-se que sua disposição é de disputar o governo do Ceará, abrindo mão (se esta é a expressão adequada) de tentar novo mandato no Senado. Claro que a crise no Fortaleza, que poderia ser algo restrito ao futebol, não ficaria livre de sua estratégia considerando que o ex-CEO do clube é casado com a vice-governadora Jade Romero (MDB).
Girão, em bases pouco concretas, acusa Marcelo Paz, o marido em questão, de ter-se vinculado a um "um projeto de poder de uma família", imagino que em referência ao ministro Camilo Santana.
O fato é que inexiste qualquer ação, além do que diz respeito à vida pessoal de Jade e Paz, que permita sugerir uma confusão imaginária entre política e esporte entre as causas prováveis da derrocada tricolor em 2025. Da mesma forma que não teve nada a ver com os 10 anos anteriores de glória.
Quem caiu em campo com força nos últimos dias de 2025 para defender Junior Mano, deputado federal do PSB que quer ser candidato ao Senado em outubro, foi a prefeita de Nova Russas, Giordana Mano (PSB).
Como o sobrenome denuncia, a mulher dele, mas, na condição de prefeita, garantindo que o parlamentar tem beneficiado muito município administrado por adversários com a farta distribuição que comanda de emendas parlamentares. Tão farta, aliás, que lhe tem tendo trazido probemas e uma investigação em curso pela Polícia Federal.
Chamada a apresentar um exemplo concreto, Giordana tem citado Jaguaruana, onde Elias do Sargento (PT), aliado e apoiado pelo influente líder do governo José Guimarães, ganhou recuros enviados pelo parlamentar ano passado. "Aliás", diz ela, "todo município da região de Crateús teve verba encaminhada por ele".
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