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Em 2026, vote consciente
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É doutora em Educação pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Pesquisa agendas internacionais voltadas para as mulheres de países periféricos, representatividade feminina na política e história das mulheres. É autora do livro de contos

Kalina Gondim política

Em 2026, vote consciente

Sei que ainda estamos em janeiro, mas as peças do tabuleiro eleitoral já iniciaram seus movimentos e algumas questões que atravessaram eleições passadas se farão presentes no pleito de 2026
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Urna eletrônica do Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
 (Foto: Antonio Augusto/Ascom/TSE)
Foto: Antonio Augusto/Ascom/TSE Urna eletrônica do Tribunal Superior Eleitoral (TSE)

Segundo o site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), neste ano, mais de 150 milhões de brasileiros voltarão às urnas eletrônicas para escolher o presidente, os governadores, senadores, deputados federais, estaduais e distritais.

Com a hashtag “Eleições 2026 voto na democracia”, o Tribunal disponibilizou, em seu endereço eletrônico, uma espécie de cartilha na qual divulga as datas do 1º e 2º turnos, as competências dos cargos, as regras para lançamento de candidaturas, a idade mínima para se pleitear o cargo, entre outros temas.

A escolha pelo mote “Voto na democracia” foi muito feliz, pois enfatiza o valor inegociável do sistema democrático independentemente de nossas escolhas políticas, sejam à direita ou à esquerda.

Em um País plenamente alfabetizado e civilizado a visita ao site do TSE seria um itinerário obrigatório, haja vista a importância de um ano eleitoral como este, quando serão escolhidos diversos cargos eletivos, entre eles o de Presidente da República, contudo, o Brasil ainda apresenta um elevado número de analfabetos sejam eles absolutos ou funcionais, o que acarreta maior vulnerabilidade a manipulações de toda sorte.

Entre esses indivíduos também é comum um alheamento do debate público e as questões contemporâneas que afetam o futuro, ficando a participação política circunscrita ao dia da votação.

Sei que ainda estamos em janeiro, mas as peças do tabuleiro eleitoral já iniciaram seus movimentos e algumas questões que atravessaram eleições passadas se farão presentes no pleito de 2026.

Dentre elas, temos a intensa polarização, como vimos recentemente a polêmica envolvendo as sandálias havaianas e a invasão dos Estados Unidos à Venezuela, que repercutiu na política local, promovendo embates entre Capitão Wagner, que defende a ação contra Nicolás Maduro, e o vereador Gabriel Aguiar do Psol, que condenou a invasão de Trump, entendendo-a como uma afronta ao direito internacional.

A polarização é alimentada por emoções primitivas e subterrâneas do ser humano e não encontra freio em uma educação política de massa.

O Brasil perde tempo e oportunidade de pensar em um projeto para o País, entretanto não podemos deixar de pontuar que a polarização é estimulada de cima por alguns partidos políticos e seus componentes que estimulam pseudo debates em torno de questões inócuas, que têm como única utilidade montar um circo, mas sem pão.

Para refutar todo o tipo de manipulação vinda de estratégias eleitoreiras, o brasileiro deve se portar de forma pragmática e, antes de se deixar envolver por discursos, deve olhar para sua vida concreta. À essa altura, alguns políticos já sonham com a reeleição.

Mas, e se os eleitores analisassem atentamente os projetos de lei propostos por eles? Os programas e projetos que eles conceberam, quais conseguiriam ser reeleitos, levando-se em consideração seus méritos?

A verdade é que a maior parte dos brasileiros ainda escolhe seus candidatos de forma aleatória e irrefletida.

É consensual que o nível dos políticos é cada vez mais desqualificado e isso se demonstra nos discursos e nos debates entre eles durante o processo eleitoral e nas pautas levadas a cabo após a eleição. Algumas questões podem servir de mapa para nos auxiliar nas escolhas que faremos em outubro.

Podemos iniciar pensando sobre quais atributos são necessários a um bom político. O Brasil vai continuar apostando nos chamados outsiders, indivíduos sem histórico político que invadem a cena política de véspera no estilo Pablo Marçal?

É importante também pensarmos em termos de capital humano avaliando a atual política educacional, no que tange às questões relacionadas à justiça social e equidade.

Podemos refletir sobre o papel das cotas raciais e da cota de gênero na política, seus impactos e a possibilidade ou não de ampliá-las.

Essas são apenas algumas das questões que devem balizar nossas opções políticas, sem esses parâmetros mínimos, corremos o risco de votar de forma inconsciente, levando-se em conta aparência física, imagens e toda forma de simbologia em detrimento da observação de questões objetivas que afetam a coletividade.

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