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Cyber-shot, trend 2016 e Y2K: por que o antigo é moda em 2026?
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jornalista, com pós-graduação em Propaganda e Marketing (Uni7) e em Moda e Comunicação (Universidade de Fortaleza). Já atuou como assessora de comunicação, repórter do Núcleo de Revistas do O POVO, jornalista na área de branding e design, e produtora de conteúdo no Penteadeira Amarela, um dos primeiros blogs de comportamento do Ceará. A ligação com a moda surgiu ainda na faculdade, quando teve contato com os bastidores da moda, passando a vê-la como forma de expressão individual, de manifestação cultural e de reflexão social. Atualmente, é editora-adjunta de projetos do O POVO.

Larissa Viegas arte e cultura

Cyber-shot, trend 2016 e Y2K: por que o antigo é moda em 2026?

O ano de 2026 começou olhando para o passado com nostalgia gostosa e tendências marcantes
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Camisas esportivas, moletons e calças largas marcavam a moda masculina. Os Backstreet Boys eram ícones! (Foto: Franz-Peter Tschauner/dpa/picture-alliance)
Foto: Franz-Peter Tschauner/dpa/picture-alliance Camisas esportivas, moletons e calças largas marcavam a moda masculina. Os Backstreet Boys eram ícones!

Quantas vezes você já ouviu o termo "a moda é cíclica"? E você já parou para pensar na veracidade, no sentido e, principalmente, no real motivo da expressão?

Vamos começar pela origem da palavra. "Moda" vem do latim "modus", que significa "ritmo, medida", mas também "maneira, jeito". Já no francês do século XV, o termo "mode" indicava o estilo de vestir, que acompanhava as transformações sociais.

Para a socióloga Diana Crane, as mudanças da moda são vistas como um sistema simbólico ligado a classe, identidade e poder. As tendências que tiveram significados sociais consolidados no passado são recicladas, ressurgem e são reapropriadas em novos contextos históricos.

Outro autor que "canta essa bola" (expressão que reciclo e reuso agora na coluna) há décadas é Gilles Lipovetsky. Em "O Império do Efêmero: a moda e seu destino nas sociedades modernas", de 1987, o filósofo francês diz que "a moda institui o poder do efêmero, mas o faz dentro de uma lógica regular de substituições e retornos".

Celebridades como Britney Spears (foto), Beyoncé, Jennifer Lopez e Paris Hilton foram ícones fashion dos anos 2000. Transparências e cabelos frisados também marcavam os looks. (Foto: Divulgação/The Place)
Foto: Divulgação/The Place Celebridades como Britney Spears (foto), Beyoncé, Jennifer Lopez e Paris Hilton foram ícones fashion dos anos 2000. Transparências e cabelos frisados também marcavam os looks.

Quer dizer, a moda é temporária, passageira, transitória e sua renovação permanente só é possível por se basear no antigo que retorna ressignificado. Ela muda o tempo todo, mas nunca rompe totalmente com o passado.

E o que esperar para 2026? Em 2025, já era possível ter uma ideia do que está por vir. Em meados do ano passado, me deparei, duas bancadas à minha frente, com a geração Z da Redação do O POVO se divertindo com uma Cyber-shot (modelo de câmera digital da Sony lançada nos anos 2000), recém-adquirida em um loja de antiguidades.

Ainda no mundo off-line, o reflexo do on-line está nas roupas, tanto nas vitrines de lojas quanto nos corredores dos shoppings: calças cintura baixa, mini-saias, bolsas pequenas, baby tees, e blusas de recortes assimétricos. O pink e os maxi-acessórios nunca são demais.

Enquanto millennials (oie!) vivem um momento de nostalgia, se divertem com a trend de 2016 - relembrando cortes de cabelo, looks e até poses - e revivem o mundo pop que ditava as tendências Y2K (aquelas ligadas à moda do início dos anos 2000), uma nova geração enxerga tudo como novidade e adapta para o seu "mundo" e seu novo jeito de consumo, no qual as redes sociais ditam e refletem esses comportamentos.

Para quem está vivendo tudo pela primeira vez, há a dicotomia de estar off-line, com as câmeras digitais sem conexão com a internet, mas que assim que possível já tem as imagens compartilhadas no Instagram ou TikTok; a criatividade na releitura dos looks e o toque da sustentabilidade, na forma de upcycling e brechós.

Ao que tudo indica, não é só de reconhecimento do cinema brasileiro e Copa do Mundo que viverá 2026, mas também de tendências de 10 anos e de 20 anos atrás. Nas criações de designers, nas inspirações de influenciadores e nas sacolas de compras dos consumidores.

E se você não se encaixa em nenhum desses perfis, sugiro integrar o grupo dos que enxergam esse movimento como algo divertido, leve, ora colorido e até um pouco infantilizado. Se nada disso funcionar, não se preocupe: conforme sociólogos e filósofos já afirmaram, vai passar.

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