Reportagem Seriada

As chances de medalhas do Brasil nos Jogos Olímpicos de Tóquio

O time tupiniquim chega como favorito para o ouro em cinco modalidades, com nomes como a pugilista Bia Ferreira, o surfista Gabriel Medina e o canoísta Isaquías Queiroz
Episódio 9

As chances de medalhas do Brasil nos Jogos Olímpicos de Tóquio

O time tupiniquim chega como favorito para o ouro em cinco modalidades, com nomes como a pugilista Bia Ferreira, o surfista Gabriel Medina e o canoísta Isaquías Queiroz Episódio 9
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As principais chances de medalhas de ouro do Brasil em Tóquio passam por modalidades como o boxe, surfe, vôlei, skate e a canoagem. O time tupiniquim chega como favorito nestes esportes, com nomes como a pugilista Bia Ferreira, o surfista Gabriel Medina e o canoísta Isaquías Queiroz. Há outras possibilidades de brigar pelo lugar mais alto no pódio, como no futebol, na maratona aquática, na vela, esgrima e ginástica.

O Comitê Olímpico do Brasil (COB) não estipulou metas para Tóquio. Nos bastidores, a delegação brasileira trabalha em busca de alcançar pelo menos resultado de medalhas equivalente ao da Rio-2016, 19 no total, com 7 ouros, 6 pratas e 6 bronze — recordes históricos de número total e primeiros lugares.

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Para Marcelo Romano, jornalista especializado em esportes olímpicos e colunista do O POVO, o Brasil chega aos Jogos no Japão com chances até de ultrapassar a melhor marca do país numa edição da competição. Por outro lado, o cenário para medalhas de ouro é considerado mais difícil.

"Acredito que sim (sobre as chances superar ou alcançar a marca da Rio-20019) pela inclusão do surfe e do skate. Se o Brasil conseguir duas medalhas em cada modalidade, já serão quatro, faltando 15. É possível repetir essas 19. Em termos de ouro, acho mais complicado. O Brasil não tem sete candidatos a medalha de ouro. Talvez dê sete ou oito, mas coloco como possibilidade maior cinco ou seis ouros", avaliou o especialista.

O Time Brasil desembarca com delegação recorde na história do país em Olimpíadas. São 302 atletas que disputarão 35 modalidades, destes 31 medalhistas olímpicos, sendo 18 campeões. Apesar de nomes experientes com bagagem e pódio olímpico, Romano aposta em uma estreante como a principal candidata ao ouro, a baiana Bia Ferreira, 28, que pode ser a primeira mulher brasileira a atingir o topo do boxe feminino.

Com referências mundiais no surfe e no skate, duas modalidades estreantes nas Olimpíadas, o Brasil é soberano e tem a chance de colecionar medalhas. Romano, inclusive, avalia que o esporte de rodinhas pode tomar o lugar de "carro-chefe" do judô na delegação brasileira.

"No skate, na prova do street feminino, temos duas a três atletas com condições de brigar por medalhas. No masculino, na modalidade park, Pedro Barros tem conquistas internacionais e boas possibilidades. No surfe, Medina e Ítalo (Ferreira) são os principais atletas da atualidade na modalidade. O Medina é superfavorito à medalha de ouro", afirmou Romano.

Sensação na Rio-2016 ao se tornar o brasileiro com mais medalhas numa única edição, duas de pratas e uma de bronze, Isaquías Queiroz vai brigar pelo ouro na prova de canoagem C-1 1000 metros, além de boas chances de medalhar no C-2 1000 metros, ao lado de Jacky Godmann. Na vela, as atuais campeãs olímpicas Martine Grael e Kahena Kunze fizeram ciclo regular e estão entre três duplas mundiais com as maiores possibilidades de pódio.

No vôlei masculino, pontua Romano, o Brasil chega como a principal força e mira repetir o ouro conquistado na Rio-2016. Na maratona aquática, o time brasileiro tem como esperança de pódio a experiente e multicampeã Ana Marcela Cunha, que ainda busca a primeira medalha olímpica.

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"O ciclo pode ser considerado bom. O Brasil conquistou medalhas, o Isaquías se tornou campeão mundial na canoagem, a Nathalie Moellhausen, campeã mundial na esgrima. O Bruno Fratus conquistou duas medalhas nos 50 metros (livre) da natação em campeonatos mundiais. A Bia Ferreira é campeã mundial de boxe. O Arthur Nory é campeão mundial na barra da ginástica. Se avaliar de um ciclo para o outro até que tivemos resultados melhores nesse ciclo olímpico. A maioria dos atletas vem da Rio-2016, (são) experientes", analisou o colunista do O POVO.

 

 

Investimento em esporte olímpico

No último ano, já com os impactos da pandemia, o COB destinou R$ 150 milhões às confederações para projetos de treinamento e competições de preparação, R$ 12 milhões para o desenvolvimento das categorias de base e outros R$ 30 milhões especificamente em modalidades com mais chances de pódio. Marcelo Laguna, jornalista e editor do blog Laguna Olímpico, traça um paralelo de duas realidades de investimentos no ciclo olímpico.

"O COB teve uma verba muito grande nesse ciclo. A última distribuição dos recursos da Lei Piva foi a maior da história. O COB bancou no ano passado a missão Europa para atletas treinarem em Portugal, quando tudo estava fechado aqui. Foi um investimento milionário. Já em relação às confederações não se pode dizer a mesma coisa. Várias tiveram problemas com falta de patrocinador, houve limitação séria de recursos. Algumas até estão proibidas na Justiça. O investimento no esporte brasileiro diminuiu, não só as Confederações, mas os programas de bolsa atleta. A malha de beneficiados foi sendo reduzida", explicou.

 

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