Paula Vieira, socióloga e cientista política. Professora. Pesquisadora do Laboratório de estudos sobre política, eleições e mídia (Lepem-UFC)
Paula Vieira, socióloga e cientista política. Professora. Pesquisadora do Laboratório de estudos sobre política, eleições e mídia (Lepem-UFC)
Toda política é local. Li essa frase (me foge à memória de onde li e quem disse) e fiquei reflexiva sobre os caminhos articulados em 2026 para o Ceará. Tenho escutado de algumas pessoas que Ciro Gomes, como candidato ao governo do Estado, não combina, pois é um nome nacional. Por isso, naturalmente sua possível candidatura puxa os holofotes para as disputas do Ceará.
Os meses finais de 2025 trouxeram essa possibilidade. Pesquisas de intenção de voto colocam a competitividade no entorno dos nomes petistas do atual governador, Elmano de Freitas (PT), Ciro Gomes (PSDB) e Camilo Santana (PT).
Este último, com afirmação de descompatibilização para ficar “à disposição”, em busca de garantir a hegemonia petista liderada por ele. Recentemente, Camilo foi cogitado ao Ministério da Justiça também.
A aliança entre o governo Elmano e os opositores aos Ferreira Gomes também chama a atenção. Até esse momento, Oscar e Moses Rodrigues estão no partido em que opositores ferrenhos ao PT, Wagner e Roberto Cláudio.
Wagner parece nacionalizar o discurso e há quem avalie a possibilidade de uma disputa ao Senado. Roberto Cláudio, do desejo de disputar o governo do Estado no enfrentamento ao Camilo e ao PT, passou para ser cogitado ao Senado. Ou a deputado federal.
Com a vinda da Michelle Bolsonaro (PL) e a boa desenvoltura de André Fernandes (PL) nas últimas eleições municipais, tem sido curioso observar como o bolsonarismo busca sua permanência como representante da extrema direita em perspectiva de ter alcance estadual: alianças com Ciro Gomes (PSDB) e a possibilidade de maximizar o alcance político.
Ainda, espera-se a indicação legítima do representante nacional do bolsonarismo à presidência. Um palanque, seja puro de extrema direita ou aliado a representantes da direita que tenham capital político depende, também, dessa decisão.
Nesse início de 2026, embora ainda em construção, a estratégia local do campo da esquerda em torno do governo Elmano e da liderança de Camilo parecem estar mais direcionadas, ainda que existam especulações sobre quem será o candidato.
Mantém-se a expansão de alianças locais, mantém-se o diálogo interessado com aliados importantes de outros grupos políticos, como Domingos Filho, Eunício e, apesar das dúvidas, o dito ainda é que se sustenta a proximidade com Cid Gomes. O local possui uma consistência estratégica alinhada com a disputa nacional e, até então, certeza de candidatura à reeleição de Lula.
A certeza da direita, especificamente da extrema, é se ancorar no bolsonarismo. Uma impressão que jogo como chuva de ideias é que eles se deparam, do ponto de vista da organização local, com dois desafios.
O primeiro é como nacionalizar uma legenda, o PL, de tal modo a formar uma bancada forte na Câmara dos Deputados e no Senado. Por lá, podem ser oposição ou ser situação. O segundo é quem será o nome em disputa que sustentará, pelo nacional, as articulações locais.
Em meio a tantas articulações, nomes e incertezas, permanece o desafio central de como conciliar os interesses e as identidades locais com as ambições nacionais, seja do petismo, do bolsonarismo ou dos tradicionais grupos cearenses.
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