Editora-adjunta do O POVO+ especializada em ciência, meio ambiente e clima. Formada em Comunicação Social - Jornalismo pela Universidade Federal do Ceará (UFC), é premiada a nível regional e nacional com reportagens sobre ciência e meio ambiente. Também já foi finalista três anos consecutivos no Prêmio Einstein +Admirados da Imprensa de Saúde, Ciência e Bem-Estar na região Nordeste. É diretora administrativa financeira da Rede Brasileira de Jornalismo Ambiental (RBJA) 2025-2027
A COP continua essencial para encontrar soluções, mas as negociações cada vez mais travadas talvez indiquem que estamos chegando no limite da cooperação internacional
Foto: Ricardo Stuckert / PR
PRESIDENTE Luiz Inácio Lula da Silva, durante a recepção oficial dos chefes de delegação da Cúpula do Clima (COP30)
A 30ª Conferência das Partes do Clima (COP 30) começa oficialmente amanhã, mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já descreveu a perfeita contradição que permeará o evento pelas próximas duas semanas.
Em frente a centenas de líderes mundiais, Lula pediu que as partes encontrassem caminhos para, “de forma justa e planejada, reverter o desmatamento, superar a dependência dos combustíveis fósseis e mobilizar os recursos necessários para esses objetivos”, apesar das “dificuldades e contradições”.
A provocação de Lula é importante. No cenário em que as 64 contribuições nacionalmente determinadas (NDCs) enviadas à Organização das Nações Unidas (ONU) reduzem apenas 4% dos gases de efeito estufa (GEE) em 2035, quando o necessário é 60%, sobram poucas opções de manejo da crise climática. Nesse ritmo, o mundo já falhou com o Acordo de Paris, ao não implementar ações que freiem o aquecimento global em 1,5°C.
Segundo o relatório Lacuna de Emissões 2025, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), as metas climáticas atuais, mesmo implementadas integralmente, nos guiarão para o aquecimento entre 2,3ºC e 2,5ºC até o final do século.
Como diz a climatologista Karina Lima, “cada grau importa”, mas é urgente garantir que nossas cidades estejam preparadas para enfrentar as consequências do acordo descumprido. É ao pensar nos efeitos de cada grau ultrapassado — secas prolongadas, enchentes devastadoras, surgimento de novas pandemias — que critico o discurso de Lula.
O presidente fala em contradições em um mea culpa desconfortável, tentando amansar a revolta popular e científica com a pressão para abrir mais poços de petróleo na Foz do Amazonas. Depois, diz para veículos internacionais que nunca reivindicou ser uma liderança ambiental, quando todos os discursos desde a eleição em 2022 dizem o contrário.
Foto: Hermes Caruzo/COP30
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, discursa na Abertura da Sessão Plenária Geral dos Líderes Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas COP 30
Lula, é claro, não é o único contraditório. Difícil é apontar alguma parte na COP 30 que alia os discursos com as ações.
Os países do Norte Global seguem descumprindo as promessas de financiamento climático, forçando as conferências a desenvolverem novos mecanismos para transformar a luta pela sobrevivência humana em um investimento lucrativo.
A COP continua essencial para encontrar soluções, mas as negociações cada vez mais travadas talvez indiquem que estamos chegando no limite da cooperação internacional. Espero que Belém prove que estou enganada.
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