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Reportagem Seriada

Que a arte nos salve da VIDA: uma galeria de presente pra você

|Jornalismo cultural| Mostra "Nosso papel é arte" apresentou obras de 15 artistas em sobrecapas temáticas em 2021. Neste 7 de janeiro de 2022, aniversário de 94 anos do O POVO, celebramos o diálogo entre jornal e artistas como missão, vocação e festa
Episódio 4

Que a arte nos salve da VIDA: uma galeria de presente pra você

|Jornalismo cultural| Mostra "Nosso papel é arte" apresentou obras de 15 artistas em sobrecapas temáticas em 2021. Neste 7 de janeiro de 2022, aniversário de 94 anos do O POVO, celebramos o diálogo entre jornal e artistas como missão, vocação e festa Episódio 4
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Nos idos de 1980, quando o pintor, desenhista, escultor, gravador e cineasta Hélio Rôla trabalhou como professor visitante em Belo Horizonte, era só espremer o jornal para sair sangue. O artista estudou na Sociedade Cearense de Artes Plásticas em 1949, mas também graduou-se em Medicina em 1961 e finalizou o doutorado em Bioquímica pela Universidade de São Paulo — dividido entre a fisiologia e as tintas, não se espantava facilmente com as calamidades urbanas. A arte, no entanto, provoca o jornalismo: de volta à Capital, Rôla começou a intervir nas páginas do O POVO. "Eu pegava o jornal de manhã, fazia desenhos, coloria e enviava pelos Correios de volta para a redação. Eu acho que quem ser 'artivista'— artista que faz da arte a sua forma de ativismo — tem que ir mais à frente, tem que se arriscar", relembra.

Clique aqui para acessar a edição impressa do Vida & Arete com todas as obras do projeto Nosso papel é arte

O POVO, repleto de aquarelas, convidou Rôla para ilustrar as páginas do periódico — nasceu, em 1990, a obra "Cor do Crime". O Vida&Arte, há mais de 30 anos, documenta a produção, a circulação e o consumo de bens materiais e simbólicos. Além da divulgação de shows, eventos, atividades artísticas e entretenimento, o caderno segue uma demarcada linha editorial: ultrapassar a agenda e fortalecer um amplo debate sobre as artes do fazer. Em 2021, iniciamos a mostra "O nosso papel é arte", que apresentou as obras de 15 artistas cearenses quinzenalmente aos sábados. "Selfie" (2018), de Hélio Rôla, abriu o projeto.

 

 

Único grande jornal impresso do Ceará e também único multistreaming da América Latina, O POVO encarou "O nosso papel é arte" como missão, vocação e festa ao transformar as páginas em artefatos. Celebramos estes 94 anos como um diálogo ao pé do ouvido com artistas da nossa terra, compromisso que se renova diariamente. Hélio Rola, Alan Uchoa II, Renata Felinto, Raisa Christina, Cadeh Juaçaba, Auxi Silveira, Negrosoousa, Azuhli, Betty Leirner, Artur Bombonato, Cecilia Bichucher, Sy Gomes, Jamille Queiroz, Lucas Jansen e Juca Máximo bordaram-se nas capas do Vida&Arte — hoje, mais uma vez, o caderno é corpo e poesia.

O fotógrafo Negrosoousa, natural de Granja, foi o sétimo artista a integrar a mostra "O nosso papel é arte". A fotografia, em suas palavras, está ligada à própria maneira de existir: "Eu acredito que seja a permissão de estar presente. Através da fotografia, eu me faço e sou, tomo forma, redimensiono, me reinvento, reinvento coisas. É onde posso me proteger, posso atacar - sucintamente, devo dizer. No mais, é minha fortaleza e meu futuro", explica. Cecilia Bichucher, décima primeira artista convidada, apresentou a obra "À sombra do cajueiro" (2019) — retrato em afluentes de águas e tintas da sombra farta da árvore que mora em seu jardim. "Não me lembro do tempo em que a arte não fazia parte da minha vida. Tem uma mística que existe no imaginário popular do artista gênio que se isola para estudar e trabalhar. Picasso dizia precisar de silêncio absoluto. A minha vida e o meu trabalho não funcionaram assim. É importante falarmos sobre isso, não nos calarmos".

Entre as vozes que ecoam, a da multiartista Sy Gomes se eleva como um grito urgente, necessário. Na capa do Vida&Arte no último mês de outubro, a artista visual, historiadora, performer, cantora, compositora e produtora cultural surgiu ao lado do corpo empalhado do bode Ioiô exposto no Museu do Ceará. Emblemática figura, o bode viveu em Fortaleza no início do século XX e a população, indignada com a política vigente à época, teria votado em Ioiô para vereador em 1922. Sy Gomes provoca: "Quem se importa com uma vereança travesti? Hoje, em quem a Cidade, revoltada, votaria? Num bode ou numa travesti?". Nosso papel é questionar.

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