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Tatiana Sampaio: ciência e esperança em formato de cruz para voltar a andar
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Tatiana Sampaio: ciência e esperança em formato de cruz para voltar a andar

Pesquisadora brasileira coordena estudo muito promissor na recuperação de pacientes com tetraplegia e paraplegia, que acaba de avançar de fase

Tatiana Sampaio: ciência e esperança em formato de cruz para voltar a andar

Pesquisadora brasileira coordena estudo muito promissor na recuperação de pacientes com tetraplegia e paraplegia, que acaba de avançar de fase
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A paixão de Tatiana Coelho de Sampaio, 59, pela ciência começou ainda na infância e já aos 15 anos sabia que esse era o seu projeto de vida. A vocação começou a se tornar profissão aos 18, quando começou a estagiar em um laboratório.

“Eu já tinha feito um estágio, mas não botava a mão na massa. Aí um colega meu de turma começou a trabalhar num laboratório, do professor Adalberto Vieira, na bioquímica. E aí ele falou que lá a gente fazia as coisas, que era para valer. E aí eu fui para lá pedir estágio também”, relembra.

Agora, após quase três décadas de pesquisa contínua com a polilaminina, seu trabalho desenvolvido na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) ganhou grande destaque nacional ao apresentar resultados inéditos e muito promissores no tratamento de lesões na medula espinhal.

Tatiana Coelho de Sampaio e equipe de pesquisadores da polilaminina(Foto: Luciana Sposito)
Foto: Luciana Sposito Tatiana Coelho de Sampaio e equipe de pesquisadores da polilaminina

À frente do Laboratório de Biologia de Matriz Extracelular no Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, a pesquisadora Tatiana Coelho de Sampaio coordena os trabalhos com a polilaminina, um medicamento experimental que tem demonstrado potencial para estimular a regeneração do sistema nervoso e promover a recuperação de movimentos em pacientes antes sem esperança, com quadros de tetraplegia e paraplegia.

O laboratório Cristália, parceiro do estudo, é responsável pela patente e pelo desenvolvimento científico. A investigação teve início a partir do estudo da laminina, proteína da matriz extracelular essencial para a organização dos tecidos, onde cada proteína forma uma estrutura em forma de cruz.

Ao longo dos anos, a equipe identificou que a forma polimerizada da molécula apresenta propriedades ampliadas, capazes de modular células nervosas e favorecer a reconexão de circuitos interrompidos por traumas na medula espinhal.

Ela conta que percebeu o potencial de conseguir resultados concretos na recuperação de lesões medulares em humanos, quando viu os resultados em ratos.

“Quando a gente testou o modelo de lesão medular e viu os animais melhorando. Isso foi mais ou menos em 2004, por aí. Eu me lembro que foi uma aluna minha para os Estados Unidos para poder aprender exatamente como é que fazia, para ver a técnica diretamente”, relata.

Os primeiros ensaios clínicos envolveram oito pacientes com lesões recentes na medula. A maioria apresentou melhora significativa, com recuperação parcial ou total de movimentos, resultado que chamou a atenção da comunidade científica, de autoridades de saúde e do público em geral, quando a visão de pacientes voltando até mesmo a andar foi alcançada.

Um desses casos foi o de Bruno Drummond, que ficou tetraplégico em 2018, após sofrer um acidente de carro. Ele ficou completamente sem movimentos do pescoço para baixo, mas começou um tratamento com a polilaminina. Primeiro, sentiu movimento em um dedo. Hoje, ele tem todos os movimentos do corpo.

Com o encerramento dessa etapa inicial, a aplicação da polilaminina passou a ocorrer também por meio de uso compassivo, autorizado por decisões judiciais. Até agora, 16 pacientes receberam o tratamento, todos acompanhados de forma rigorosa, com monitoramento contínuo e respeito aos protocolos científicos e regulatórios.

Mais recentemente, no dia 5 de janeiro, a Anvisa aprovou o início do estudo clínico de fase 1 para avaliar a segurança do uso da polilaminina no tratamento do Trauma Raquimedular Agudo (TRM).

O estudo clínico será realizado em cinco pacientes voluntários, com idades entre 18 e 72 anos, portadores de lesões agudas completas da medula espinhal torácica, com indicação cirúrgica ocorrida há menos de 72 horas da lesão.

A repercussão nacional do estudo alterou de forma significativa a rotina da pesquisadora. Antes dedicada quase exclusivamente às atividades acadêmicas e ao laboratório, Tatiana passou a lidar com intensa demanda de famílias em busca de alternativas terapêuticas e de instituições interessadas no avanço da pesquisa e também da imprensa.

“Eu acho que o Jornalismo está fazendo uma ótima parceria com a gente. Está tendo muita divulgação, e isso está ajudando a mostrar para o público, de um modo geral, que a Ciência tem valor e que ela produz coisas palpáveis”, comemora.

 

O POVO - A sua paixão pela Ciência apareceu ainda na infância. Em que momento essa vocação passou a se tornar um projeto de vida concreto?

Tatiana Machado - Acho que foi com uns 15 anos já. Acho que eu já sabia o que eu queria fazer. Acho que isso foi aos 15 anos. Agora, ela começou a se tornar um projeto de vida concreto quando eu comecei a trabalhar em laboratório. Eu tinha 18 anos.

OP - Como foi essa experiência? Pode relatar um pouco para a gente?

Tatiana - Eu já tinha feito um estágio, mas não botava a mão na massa. Aí um colega meu de turma começou a trabalhar num laboratório, do professora Adalberto Vieira, na bioquímica. Ele falou que lá a gente fazia as coisas, que era muito para valer. Eu fui para lá pedir estágio também. E aí me aceitaram e comecei a trabalhar no laboratório. Eu tinha 18 anos à época.

'(A polilaminina) me deu alegria muito rápido. Ela já deu resultados surpreendentes, interessantes, muito rapidamente'(Foto: Luciana Sposito)
Foto: Luciana Sposito '(A polilaminina) me deu alegria muito rápido. Ela já deu resultados surpreendentes, interessantes, muito rapidamente'

OP - E dentro dessa paixão pela Ciência, antes da Biologia apareceu a Física. Como é que foi esse percurso de uma Ciência para outra?

Tatiana - Eu acho que eu sempre tive interesse. Na verdade, até acho que gostava mais de Física do que de Biologia. Aí, quando eu fui para a Biologia, eu já tinha esse interesse em Biofísica e Bioquímica. Já era de nascença. Eu acho, que era de infância.

OP - E sobre o salto da Ciência básica para a aplicação clínica. Qual é o maior desafio de fazer essa transição?

Tatiana - Ah, o maior desafio é que muda tudo. Quando você trabalha com Ciência básica, principalmente na área em que eu trabalhava, as perguntas científicas, elas são parecidas e, na verdade, a gente busca confirmação de ideias, de conceitos. Você imagina determinadas coisas e aí você faz experimentos meio que para confirmar aquilo e ampliar também.

Então são perguntas que vão testar uma interpretação, uma tese. Toda a experimentação é feita num sistema que é protegido, dentro do laboratório.

Agora, quando você vai para uma Ciência aplicada, aí tem que dar certo. Quer dizer, você tem que transformar isso, tem que observar aquilo que você previu dentro de uma realidade em que os seus objetos de pesquisa são diferentes.

Então, uma célula já tem uma certa vontade própria, um ser vivo como um rato mais ainda e um ser humano mais ainda. Então, o seu objeto de pesquisa vai ficando cada dia mais complexo e incontrolável. Então, é mais difícil de trabalhar assim.

OP - Falando sobre a polilaminina. Ela entrou na sua trajetória meio por acaso em 1997. O que a fez insistir nessa molécula por quase três décadas?

Tatiana - É que ela me deu alegria muito rápido. Ela já deu resultados surpreendentes, interessantes, muito rapidamente.

Então, isso aí fez com que eu me interessasse. Fora que ela tem muitas funções, uma cena muito importante no corpo. Então, faz funções muito importantes. Ela controla a regeneração do sistema nervoso, o desenvolvimento, a regeneração. Então é um assunto bem interessante. Aí… me ganhou.

'A gente tem que manter o pé no chão e saber que isso é uma construção lenta. A gente precisa de mais validação e de tempo'(Foto: Luciana Sposito)
Foto: Luciana Sposito 'A gente tem que manter o pé no chão e saber que isso é uma construção lenta. A gente precisa de mais validação e de tempo'

OP - Foi rápido, mas em que momento percebeu que ela poderia representar uma possibilidade real de recuperação funcional para pessoas com lesão medular?

Tatiana - Eu acho que quando a gente começou a ver esses resultados em ratos. Quando testou o modelo de lesão medular e viu os animais melhorando.

Isso foi mais ou menos em 2004, por aí. Eu me lembro que foi uma aluna minha para os Estados Unidos para poder aprender exatamente como é que fazia, para ver a técnica diretamente, aprender direto com pessoas que trabalhavam mesmo na área.

E eu me lembro que ela estava lá e me ligava dizendo: 'Olha, está funcionando, está legal, está dando resultado'. 

OP - Casos como o do Bruno Drummond deram um rosto, digamos assim, a esses resultados da pesquisa. Como é acompanhar essas histórias e, ao mesmo tempo, manter uma certa cautela que todo cientista precisa ter na hora de desenvolver uma pesquisa?

Tatiana - Eu acho que é um desafio. Porque claro que a gente se empolga. E como são poucos pacientes, a gente acaba acompanhando muito de perto.

Então, você acaba se envolvendo com a pessoa, com a família e tudo, e vibrando com os resultados positivos.

Mas, ao mesmo tempo, a gente tem que manter o pé no chão e saber que isso é uma construção lenta. A gente precisa de mais validação e de tempo.

OP - Quantos pacientes acompanha agora?

Tatiana - Pacientes do estudo clínico foram oito. Esses estudos foram encerrados. Agora, nesse momento, a gente está fazendo só a aplicação de polilaminina por ordem judicial, por uso compassivo, determinado por ordem judicial. E aí, nesse momento, acho que são 16.

OP - Citou a questão de ordens judiciais. Nesse contexto tem a postura da Anvisa. Como é que você a avalia?

Tatiana - Olha, a minha opinião, a minha sensação, é que nesse momento todo mundo está cooperando. Todo mundo quer que funcione.

A Anvisa deve ficar, assim, como eu te falei agora. Você quer que dê certo, você se envolve, mas ao mesmo tempo você é o guardião do processo, para garantir que seja feito tudo da maneira correta.

Pesquisa com polilaminina avançou de fase no último dia 5 de janeiro, com autorização da Anvisa(Foto: Luciana Sposito)
Foto: Luciana Sposito Pesquisa com polilaminina avançou de fase no último dia 5 de janeiro, com autorização da Anvisa

Então eu acho que a Anvisa, em tudo que pode, tem cooperado. Eles criaram um comitê de inovação que acelerou a aprovação. Eles fizeram um debate ético, um debate sobre a importância e a relevância, e aceleraram a aprovação do estudo clínico que estava sendo pedido.

Eles têm dado os pareceres. Esse uso compassivo, às vezes, exige avaliar cada paciente individualmente, e eles têm avaliado muito rápido. Pela RDC, que é a resolução deles, eles teriam 45 dias, e eles estão respondendo em dois, três dias, às vezes, até em um.

Quer dizer, eles estão realmente empenhados em ajudar e fazer da melhor maneira possível. Mas tem isso: a função deles é exatamente proteger a sociedade, formulando quais são as exigências para você considerar que aquilo funciona mesmo e que é seguro.

Então, eu imagino que eles fiquem com dois chapéus: um de empolgação e de querer ajudar, e outro de, ao mesmo tempo, ter que moderar essa empolgação, porque existe uma importância regulatória.

 

OP - Tem havido procura ou interesse também de pesquisadores estrangeiros na sua pesquisa?

Tatiana - Olha, nos últimos anos, sim. Tem grupos nos Estados Unidos. Tem dois grupos nos Estados Unidos que trabalham com polilaminina em outros modelos, com lesão de nervo periférico.

Tem um outro grupo que trabalha com desenvolvimento de glândula mamária. Tem outro grupo no Texas que usa para fazer microtecidos de coração.

Então, tem outros grupos fora do Brasil que se interessam por polilaminina. Agora, particularmente nesse trabalho de lesão medular, eu já tive alguns contatos, mas nada ainda substanciado. Nada que tenha sido posto em prática.

Pesquisa com polilaminina avança com celeridade(Foto: Luciana Sposito)
Foto: Luciana Sposito Pesquisa com polilaminina avança com celeridade

OP - Já afirmou uma vez que a Ciência produz verdades úteis, mas parciais. Como essa visão influencia as decisões diante de resultados tão promissores?

Tatiana - Eu acho que tem a ver com essa cautela porque, como eu te falei, a gente precisa respeitar a Ciência, reconhecer os seus limites e moderar nossas expectativas, sabendo que a Ciência nunca deve ser posta de lado. Mas, por outro lado, eu acho que nem tudo a gente precisa necessariamente da comprovação científica.

Porque eu ouvi uma frase que eu não preciso de comprovação científica para saber que a grama é verde. Então, tem coisas que a gente observa mesmo sem a comprovação científica.

E eu acho que a gente, como ser humano, também tem que ter essa sensibilidade, essa subjetividade. São verdades úteis porque elas te levam a evoluir no conhecimento, mas elas são parciais porque são transitórias, porque elas não dão conta da realidade como um todo.

A Ciência sempre opera num sistema fechado e conhecido. Então, quando você começa a fazer Ciência, você diz assim: “Faz de conta que nada vai interferir, que eu estou com um sistema fechado e que eu tenho todas as minhas variáveis sob controle”.

Aí você faz Ciência. Só que a realidade não é assim. Na realidade, a gente tenta, por isso são parciais. Então, ela te dá verdades que são válidas dentro daquele modelo, dentro daquele sistema fechado.

Tatiana Coelho de Sampaio sobre diversidade na ciência: 'No final das contas, a Ciência é feita por seres humanos. E as pessoas são variadas, têm talentos diferentes'(Foto: Luciana Sposito )
Foto: Luciana Sposito Tatiana Coelho de Sampaio sobre diversidade na ciência: 'No final das contas, a Ciência é feita por seres humanos. E as pessoas são variadas, têm talentos diferentes'

OP - Apesar dessa visibilidade recente, o reconhecimento não é apenas seu, mas de toda a comunidade científica brasileira. O que esse momento representa para a Ciência brasileira, quando a gente vê uma pesquisa como essa avançando com resultados tão promissores?

Tatiana - Eu acho que o Jornalismo está fazendo uma ótima parceria com a gente. Está tendo muita divulgação, e isso está ajudando a mostrar para o público, de um modo geral, que a Ciência tem valor e que ela produz coisas palpáveis.

Eu acho que é do conhecimento de quase todo mundo que a Ciência avança o conhecimento, que ela traz melhoria da qualidade de vida, mas nem sempre a gente vê isso acontecer.

No Brasil, a gente tem um exemplo muito claro do valor da Ciência para desenvolver a agricultura. A gente tem uma agricultura superdesenvolvida, e isso é por causa da Ciência. Então, é um exemplo de uma contribuição massiva da Ciência para a qualidade de vida do cidadão. Mas nem sempre isso é tão claro.

Eu acho que esse exemplo da polilaminina está dando vida a algo que era desejado por todo mundo e que agora está acontecendo. E eu estou aqui no meio desse processo, muito feliz por ter essa oportunidade, porque eu acho que isso impacta a percepção que as pessoas têm sobre a Ciência, o que é muito importante.

OP - Você coordena uma equipe diversa. Que tipo de liderança acredita ser necessária para formar novos cientistas, considerando essa diversidade que nós temos?

Tatiana - Eu acho que lideranças são pessoas que têm vínculo com a realidade, que dão valor à subjetividade e que lideram de uma forma ampla, reconhecendo os talentos das pessoas em diversas áreas e os diversos tipos de talento, sem preconceitos.

Eu acho que isso sempre ajuda. Porque, no final das contas, a Ciência é feita por seres humanos. E as pessoas são variadas, têm talentos diferentes. Então, se a gente puder reconhecer, identificar e estimular tudo isso, vai ser muito bom.

 

OP - Hoje, muitos jovens pesquisadores e estudantes veem você como uma referência. Que tipo de cientista você acredita que o Brasil precisa formar para o futuro?

Tatiana - Eu acho que pessoas que estejam dispostas a aprender, a trabalhar em Ciência, que saibam o que é a Ciência e que estejam dispostas a atuar nessa área com empenho e correção, de uma forma séria e dedicada.

Mas que, ao mesmo tempo, sejam pessoas de cabeça aberta, com disposição e espírito de cooperação, que saibam lidar com gestão de conflitos, porque tudo isso é importante.

Tatiana Coelho de Sampaio pesquisa aplicações da polilaminina(Foto: Luciana Sposito)
Foto: Luciana Sposito Tatiana Coelho de Sampaio pesquisa aplicações da polilaminina

Não basta só saber aplicar a melhor estatística. É importante saber lidar com os colegas para trabalhar em paz, de forma cooperativa e com criatividade. Eu acho que todas essas coisas fazem parte do que vai impulsionar a Ciência e o conhecimento.

OP - Tanto no laboratório quanto em casa, compartilha uma lógica de acolhimento. De onde vem essa disposição, essa visão para cuidar, ensinar e abrir espaço para o outro se desenvolver?

Tatiana - Ah, eu acho que é de casa mesmo. Eu venho de uma família muito acolhedora. Minha mãe sempre foi uma pessoa muito acolhedora da família.

Então, acho que todas as crianças da família gostavam de ir lá para casa, para a casa dos meus pais. Meu pai também é uma pessoa extremamente acolhedora, no sentido de estar sempre disposto a ensinar.

Ele tratava todo mundo do mesmo jeito, com a mesma vontade e o mesmo interesse, desde uma criança fazendo uma pergunta até um cientista, um empresário, uma pessoa muito culta ou uma pessoa menos culta.

Ele conversava com todo mundo, sempre estava disposto a explicar e ensinar. Então, acho que isso eu vi acontecer ao longo da minha vida e acho que eu tento ser assim também. Não sei se eu consigo, mas eu tento.

OP - A vida é intensa fora do laboratório também? Apesar de tanta dedicação às pesquisas, já disse que gosta de gente, de samba e de bar. Como essa rotina fora do trabalho ajuda dentro do trabalho?

Tatiana - Então, eu acho que tem um certo exagero nisso. Alguém disse que eu gostava de samba e isso virou uma coisa… Parece que qualquer dia vão me demitir. Daqui a pouco o laboratório Cristália vai me demitir (risos).

Mas não, eu não tenho uma vida muito intensa fora do laboratório, não. Pelo contrário, a minha vida é muito dedicada ao laboratório, inclusive com um certo ônus para a família, para os filhos e tudo. Eu trabalho muito.

Geralmente trabalho até tarde, sou mais uma pessoa da noite, não sou de acordar cedo. Normalmente fico no laboratório até as 9h, 10h da noite. Quando eu estou cansada e quero fazer alguma coisa, já não tem mais cinema, não tem mais teatro.

Então, geralmente eu me sento num bar, converso com amigos. Eu gosto de samba, gosto de sentar num bar e conversar. Tenho um gosto mais simples: churrasco, essas coisas. Não gosto muito de programas sofisticados. Mas também não tenho tanto tempo assim. Eu diria que eu trabalho muito.

 

 

OP - E depois de tantos anos de trabalho, disse sonhar com um ano de férias. O que espera fazer quando esse momento chegar?

Tatiana - Ah, eu queria ficar numa praia, numa praia sem muito movimento, numa casa bem pertinho da água. Ficar ali só descansando, lendo, escrevendo, pensando.

Tem um lugar que eu adoro, que se chama Baía Formosa, no sul do Rio Grande do Norte, quase na Paraíba.

Adoro esse lugar! Imagino que no Ceará também tenha lugares lindos. Mas outro dia alguém falou: 'A gente podia ir a Jericoacoara!' Aí eu falei: “Ah, não quero não”, porque eu andei em Jericoacoara quando não tinha nada, nem luz elétrica.

Agora me dá até uma pena. Mas eu imagino que no Ceará tenha lugares lindos também. A minha vontade é ficar perto da praia, num lugar bem sossegado.

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